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A pandemia da covid-19 reduziu a entrada de estrangeiros no Brasil, mas levou a um aumento do fluxo de imigrantes sem a documentação necessária para a entrada regular no país, relata o padre Paolo Parise, coordenador da Missão da Paz, instituição que abriga grupos de imigrantes em São Paulo. Com o fechamento das fronteiras, os chamados “coiotes”, que ajudam pessoas a cruzar os países sem a fiscalização da polícia, passaram a fazer o traslado ilegal para a entrada ao Brasil.

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O movimento migratório que se concentra hoje em território brasileiro é, principalmente, entre angolanos, cubanos, venezuelanos e haitianos, afirma o padre. A Missão Paz no Brasil já distribuiu mais de 9 mil cestas básicas para refugiados desde o início da pandemia. Além de oferecer auxílio para solicitar documentação e abrigo para quem ainda não está com a documentação brasileira encaminhada.

Segundo Parise, muitos imigrantes permanecem em situação de extrema vulnerabilidade por estarem irregulares no país. “O grande problema é que, ao entrarem  [desta maneira no Brasil], essas pessoas não conseguem se regularizar, porque a legislação não permite durante esse tempo. Então estamos com um fenômeno de pessoas em situação de extrema vulnerabilidade”, lamentou o coordenador, que explicou que conheceu imigrantes que pagaram até R$ 600 pela travessia.

Na semana passada, para frear o fenômeno durante a pandemia, a Polícia Federal fez uma operação contra os coiotes responsáveis pela entrada irregular no país. O grupo estaria agindo entre a fronteira do Brasil e Peru – entre os estados do Amazonas e Acre – e as investigações continuam.

De acordo com o ACNUR (Agência de Refugiados da Organização das Nações Unidas) no Brasil, apenas 32 países não impuseram nenhuma restrição de acesso aos seus territórios durante a pandemia.

À Folha de S.Paulo, o governador de Roraima, Antonio Denarium (sem partido), afirmou que ao menos 100 imigrantes venezuelanos entraram no estado por rotas clandestinas. Ele disse  temer pelo colapso da saúde com o fluxo descontrolado de pessoas que não passam pela triagem de covid-19 e por isso solicitou ajuda ao Exército brasileiro na fronteira.