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O consumidor volta a fazer contas a partir de hoje na hora de colocar combustível no tanque. A gasolina e o diesel ficam mais caros novamente. É o quinto aumento no ano, com reajuste acumulado de 41,6% e 33,9%, respectivamente, desde janeiro. O GLP, mais conhecido como gás de cozinha, também encarece a partir de hoje, com alta de 17,1% em 2021. Os preços são estipulados pela Petrobras, empresa dominante no mercado, e correspondem aos valores cobrados nas refinarias. Até chegar aos consumidores, são acrescidos ainda de impostos e repasses das revendedoras.

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O novo reajuste a partir de hoje para a gasolina é de 4,8%, equivalente a R$ 0,12 a mais por litro, com o combustível a R$ 2,60 por litro nas refinarias. O óleo diesel sobe 5%, R$ 0,13 a mais e valor final de R$ 2,71 por litro. Já o gás liquefeito de petróleo fica 5,2% mais caro. O preço chega a R$ 3,05 por quilo para as distribuidoras (R$ 0,15 mais caro), ou seja R$ 36,69 por 13 kg (ou
R$ 1,90 mais caro).

A acelerada nos combustíveis é motivada pela valorização internacional do barril de petróleo. Depois de ter chegado a custar US$ 20 o barril no auge da pandemia no ano passado, a commodity do tipo Brent ultrapassa US$ 60 o barril. A valorização é motivada pela retomada do consumo com a vacinação em massa em vários países.

O impacto é sentido no bolso dos brasileiros porque desde 2017 a Petrobras utiliza política internacional de equiparação dos preços. Ou seja, quando o preço do barril sobe, os combustíveis também ficam mais caros por aqui. A política é adotada para tornar o mercado brasileiro competitivo também para a atuação de importadores e para não haver desabastecimento no país, diz a Petrobras.

Quem aproveita o movimento de mercado para também ficar mais caro é o etanol. Em São Paulo, principal estado produtor, consumidor e com mais postos avaliados pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), a cotação média do hidratado ficou em R$ 3,223 na penúltima semana de fevereiro, aumento de 2,58% ante a semana anterior.

Demissão

O anúncio dos novos reajustes do produto vendido nas refinarias pela Petrobras acontece 10 dias após o presidente Jair Bolsonaro comunicar em uma rede social a demissão do presidente da estatal, Roberto Castello Branco.

Na ocasião, Bolsonaro criticou a falta de transparência na gestão, prometeu solução para controlar o preço sem interferir na política da empresa e indicou o general Joaquim Silva e Luna para liderar a Petrobras. A mudança veio seguida de reação do mercado, com a empresa perdendo cerca de R$ 100 bilhões após queda no valor de suas ações na bolsa. 

Postos ainda têm operação reduzida

A pandemia ainda afeta o movimento nos postos de combustíveis, que funcionam em média com 75% de sua capacidade, afirma o presidente do Regran, sindicato do comércio varejista de derivados do petróleo no ABC, Wagner de Souza.

“Com a pandemia, os deslocamentos se reduziram. Muitas pessoas trabalham de casa, não usam mais o carro. Ninguém mais enche o tanque para passear no fim de semana por conta das restrições. A volta às aulas também tem impacto, de cerca de 15% nas vendas, o que só ocorreu agora. O aumento dos preços deixa o consumidor ainda mais assustado, colocando o mínimo possível no tanque”, disse Souza.

Ele conta que muitos proprietários têm procurado empréstimos e reduzido o número de funcionários para continuar funcionando.

Além do aumento dos derivados de petróleo, Souza afirma que o preço do etanol tem assustado. “Hoje [ontem], ele chegou com alta de R$ 0,30 o litro. Estamos na entressafra e os produtores tem preferido usar a cana para exportar açúcar.”  Vanessa Selicani