COVID-19: 3 coisas que fazemos que não são eficazes contra o coronavírus

Por Camilla Viegas

“Use máscara”, “Lave suas mãos” e “Mantenha uma distância segura”. Essas são as três principais recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) quando o assunto é prevenção contra o novo coronavírus.

“Quando há um cuidado maior com a higiene das mãos, você reduz muito essa cadeia de transmissão de microorganismos. Com isso, diminui a incidência de infecções”, explica a médica Tânia Vergara, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), em entrevista para o jornal O Globo.

Mas essas não são as únicas recomendações e alguns hábitos, que se tornaram comuns com a pandemia, podem não ter efeito prático. Medir a temperatura com termômetro sem contato ou não tocar o botão do elevador podem ser alguns desses hábitos adquiridos que não têm eficácia real. Já sobre limpar as sacolas das compras há controvérsias entre os cientistas. Confira!

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Não tocar os botões do elevador com os dedos
O fato de evitar maçanetas e botões de elevador por si só não diminui as chances de você se contaminar. O que de fato funciona é lavar as mãos depois de tocar nessas superfícies e antes de tocar no rosto ou comer.

“Nos dizem que se uma pessoa espirra na mão e leva a mão contaminada ao elevador, depois toca no botão e outra pessoa toca no mesmo botão e traz o vírus ao nariz. Pode acontecer (a infecção), mas é tremendamente improvável”, diz a médica María Fernanda Gutiérrez, da Universidade Javeriana de Bogotá, na Colômbia, em entrevista à CNN en Español.


Limpar as sacolas das compras

Em teoria, pode ser possível ser infectado por Covid-19 a partir de embalagens. Um estudo publicado no New England Journal of Medicine, descobriu que o vírus é viável por até 72 horas em plásticos e aço inoxidável, 24 horas em papelão e quatro horas em cobre. A quantidade de vírus existentes nas superfícies vai diminuindo com o passar das horas, reduzindo o risco de contaminação.

Porém, alguns cientistas questionaram se esses resultados poderiam ser aplicados em casos fora do laboratório. O professor Julian Tang, do Centro de Ciências Respiratórias da Universidade de Leicester, no Reino Unido, diz que, no mundo exterior, as condições ambientais mudam rapidamente, o que significa que o vírus não pode sobreviver por tanto tempo.

Em um artigo publicado na revista científica The Lancet, Emanuel Goldman, professor de microbiologia da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos disse: "Na minha opinião, a chance de transmissão por meio de superfícies inanimadas é muito pequena e apenas nos casos em que uma pessoa infectada tosse ou espirra na superfície e outra pessoa toca essa superfície logo após a tosse e o espirro (dentro de uma a duas horas)". Ele disse ainda que os estudos de laboratório usaram amostras de até 10 milhões de partículas virais, enquanto o número de partículas virais em uma superfície atingida por um espirro é de menos de 100.

 

Medição da temperatura com termômetro sem contato
Provavelmente você já viu na entrada de shoppings, lojas, hospitais e outros locais como medida de proteção. O médico Diego Rosselli, professor de Epidemiologia da Universidad Javeriana, diz que essa medida não é totalmente eficiente. “Apenas 10% das pessoas que transmitem o vírus e contaminam têm febre. Então estaríamos pegando um grupo muito pequeno de pessoas”, explica.
“Nem no pulso ou em qualquer lugar. Uma razão é porque, em geral, o vírus não é um vírus que produz febre. Em poucos casos você tem febre e, quando você tem, você se sente mal, é provável que você não saia de casa”, finaliza a Dra. Gutiérrez.

 

Este texto foi redigido com informações da CNN e BBC.

 

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