Inflação cai com ajuda da conta de luz, mas comida ainda pesa

Por Metro

Os custos da energia elétrica e de passagens aéreas caíram em janeiro, o que auxiliou a queda da inflação como um todo. Mas o brasileiro ainda vê crescer o valor de alimentos e bebidas, itens de peso maior no orçamento de famílias mais pobres.

A inflação oficial do país foi divulgada ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) para o primeiro mês do ano ficou em 0,25%. É a menor taxa desde agosto do ano passado e a primeira queda após quatro meses. A variação volta a se aproximar das registradas antes da pandemia de covid-19.

A desaceleração da inflação já era aguardada para janeiro, após mês com tradicionais preços mais altos durante as festas de fim de ano. Mas a taxa de 0,25% ficou abaixo de projeção do mercado. A Reuters, por exemplo, projetava 0,30%. A queda coincide com o fim dos pagamentos de auxílio emergencial do governo federal.

O IBGE diz que ainda é cedo para se medir os impactos do encerramento do benefício, mas acredita que a redução da inflação nas carnes (-0,08%) possa ter relação. “De fato, o auxílio emergencial ajudou a sustentar uma alta dos alimentícios ao longo do ano passado, porque esses recursos são geralmente direcionados para o consumo de produtos essenciais”, disse o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

Os alimentos continuam como maior peso para alta da inflação. No mês passado, o índice do grupo chegou a 1,02%, um pouco menos intensa que o 1,74% de dezembro.

A conta de energia elétrica foi a maior influenciadora para a desaceleração do IPCA. “Após a vigência da bandeira tarifária vermelha patamar 2 em dezembro, passou a vigorar em janeiro a amarela. Assim, em vez do acréscimo de R$ 6,243 por cada 100 quilowatts-hora, o consumidor passou a pagar um adicional bem menor, de R$ 1,343. O que resultou em uma deflação (-1,07%) no grupo habitação, do qual esse item faz parte”, explica  Kislanov. Ainda bastante afetado pelas políticas de isolamento, o setor aéreo também pesou para baixo, com redução nas passagens em 19,93%.  

Para economistas, é cedo para desaceleração

Apesar da desaceleração em janeiro, economistas acreditam que 2021 ainda será de preços altos para os consumidores, principalmente se for confirmada nova rodada de auxílio emergencial.

O financista do Canal 1Bilhão Educação Financeira, Fabrizio Gueratto, vê reflexos também do petróleo para a inflação neste ano. “O aumento dos combustíveis impacta diversos setores dependentes de forma direta e indireta do petróleo.”

O economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, avalia como positiva a desaceleração em janeiro. “Mas não significa que a trajetória altista foi interrompida. Seguimos monitorando a evolução dos preços e com a perspectiva de curto prazo que a inflação continuará acelerando.”  

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