'Help Hour' busca atrair clientes para restaurantes em horários com menor movimento

Chefs renomados se unem em ação para atrair clientes de bares e restaurantes de São Paulo em períodos alternativos

Por Luccas Balacci - Metro

As mudanças constantes nas regras de funcionamento do comércio de São Paulo têm deixado donos de bares e restaurantes bastante inseguros. Na capital, uma ação de chefs renomados busca atrair clientes em horários menos movimentados, na tentativa de recuperar o faturamento comprometido pela crise.

Ao invés do saudoso Happy Hour, que antes da pandemia lotava os estabelecimentos no fim da tarde, agora é a vez do Help Hour. O conceito foi desenvolvido pela chef Bel Coelho, do Cuia, em parceria com Alex Atala, do Grupo D.O.M., e já em seu nome faz um apelo pelo apoio do público.

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“A ação surgiu da necessidade de servir os clientes em um horário muito mais restrito”, explica Bel. “Queremos estimular o público que já é frequente a mudar um hábito, chegar mais cedo no restaurante e consumir para que os lugares sobrevivam.”

Mais que um bom trocadilho, o Help Hour consiste na adoção de um cardápio especial, em horário diferenciado, e já recrutou grandes nomes, como Helena Rizzo (Manioca), Janaína Rueda (Bar da Dona Onça), Paola Carosella (Arturito), Rodrigo Oliveira (Mocotó) e Marcelo Corrêa Bastos (Jiquitaia).

A iniciativa, porém, é aberta para todos os restaurantes e bares que quiserem participar. “Normalmente, muitos nem estão abertos nesses horários, e eles passam a abrir para oferecer comidas e bebidas que tenham a ver com esse momento”, explica Bel.

Para o gestor esportivo Samuel Este, de 24 anos, o momento é de solidariedade e empatia, visto que boa parte das pessoas sofreu revezes com a pandemia. “O horário é atípico, mas é importante ter ações como essas, que ajudem lugares tão importantes no nosso dia a dia.”

O empresário Silas Souza, de 32 anos, acredita que a iniciativa ajuda a manter empregos. “Temos que seguir frequentando bons cafés e restaurantes e torcer para que tudo volte ao normal logo.”

Aperta e afrouxa

Nos últimos meses, o setor gastronômico precisou se adaptar a diversas mudanças, como a proibição do atendimento presencial nos fins de semana de fim de ano e, até semana passada, o fechamento dos bares ao público.

Com a reclassificação do Plano São Paulo, válida desde anteontem, os restaurantes puderam novamente ficar abertos até as 22h, enquanto que bares voltaram a receber clientes até as 20h. O presidente do conselho estadual da Abrasel-SP (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de São Paulo), Percival Maricato, aponta a decisão do governo estadual como uma vitória, mas ainda distante do ideal. “Gostaríamos da ocupação de até 60%, abertura até as 23h e permissão para mesas nas cadeiras”, disse.

A associação aponta que, desde o início da quarentena, em março do ano passado, mais de 12 mil estabelecimentos fecharam as portas.

Outras medidas que marcam um pacote de ajuda do estado estão R$ 125 milhões em linhas de crédito e manutenção de serviços de gás e água mesmo para inadimplentes por 90 dias.

Mesmo assim, a chef Bel Coelho não esconde o pessimismo ao falar das expectativas para o ano. “Será muito difícil. No ano passado, ainda tínhamos uma certa gordura para manter os lugares abertos. Nesse ano, nem isso temos.” Tanto ela quanto Maricato cravam que o faturamento só irá retomar um patamar próximo a antes da pandemia com a vacinação em larga escala.

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