logo

Consumidores vão poder sacar dinheiro no comércio e parcelar compras utilizando o Pix. O novo sistema de transferências bancárias instantâneas começou a funcionar ontem para todos. Ele opera 24 horas por dia e não tem custo para pessoas físicas e pequenos empreendedores.

A expectativa do Banco Central, criador da ferramenta, é que novas funcionalidades sejam inseridas nos próximos dois anos. Nos casos específicos dos saques, chamado de Pix Cashback, e do parcelamento, o Pix Garantido, a previsão é de estrearem até o primeiro semestre do próximo ano.

QUER RECEBER A EDIÇÃO DIGITAL DO METRO JORNAL TODAS AS MANHÃS POR E-MAIL? É DE GRAÇA! BASTA SE INSCREVER AQUI.

O Cashback vai funcionar como um troco em dinheiro disponibilizado pelo comércio para quem utiliza o sistema. O consumidor que faz compras no supermercado participante, por exemplo, poderá pagar via Pix um valor maior que o total das compras e pegar a diferença em dinheiro. O BC afirma que o serviço pode ter tarifação, mas que em outros países ele é gratuito porque funciona como um atrativo para clientes. “Muitas cidades pequenas não têm agências ou caixas eletrônicos e vão se beneficiar com o Cashback . Diminuirá também custos das empresas que acumulam dinheiro e precisam transportar quantias”, explicou o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Já o Pix Garantido competirá com os cartões de crédito, com a insituição financeira garantindo o parcelamento e com a possibilidade de cobrar juros por isso. Futuras taxas não serão intermediadas pelo BC, que disse ontem acreditar que o livre comércio impedirá abusos.

O pagamento de contas de energia elétrica com o sistema ainda depende de regulamentação da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), mas a previsão era de liberação nas próximas semanas.

Campos Neto afirmou acreditar que novas opções serão incorporadas ao Pix conforme surjam as necessidades da população e do mercado. “Na medida em que se estabilize o sistema, vamos pensar em novas funcionalidades que já estão em estudo.”

Estreia tem transações incompletas

O primeiro dia de funcionamento do Pix para todos os clientes de instituições financeiras cadastradas ontem registrou problemas em transações incompletas.

Diretores do Banco Central disseram ontem, no evento de apresentação do sistema, que a irregularidade não foi motivada por instabilidade do sistema, que teria operado normalmente. A transação pode não ocorrer se houver muita demora em completar informações ou se os dados das chaves de identificação não estiverem corretos, por exemplo.

O diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, João Manoel de Pinho de Mello, explicou que parte dos erros em operações não completadas ocorreu em tentativas de Pix para conta salário. “Parte significativa dos erros é porque o destino era conta salário, modalidade que não entra no Pix. Mas acreditamos que com cada vez mais pessoas usando as chaves, os problemas vão diminuir.”

Até o fim de semana, 71,5 milhões de chaves haviam sido cadastradas para utilizar o sistema.