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Plenário 1º de Maio, na sede da Câmara Municipal, no centro / Afonso Braga/CMSP
Foco 06/11/2020

Eleição municipal: Já escolheu o seu vereador?

Cientista político diz que eleitor tem pouco incentivo para buscar informações sobre a disputa na Câmara

No dia 15 de novembro,  eleitores de todo o país vão às urnas para escolher seu candidato a prefeito e – não menos importante – vereador.

Em São Paulo, são 1.997 candidatos na corrida para ocupar as 55 cadeiras da Câmara Municipal, de acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Com um número tão grande de opções, partidos e propostas, a escolha se torna mais difícil.

Vale lembrar que, ao contrário do prefeito, os vereadores são eleitos por sistema proporcional, ou seja, pelo quociente eleitoral – a divisão dos votos válidos pelo total de vagas.

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Primeiro, soma-se o total de votos do partido para definir o número de cadeiras a que terá direito. Depois, as vagas são distribuídas entre os candidatos que receberam mais votos nominais na sigla. Só serão eleitos aqueles que tiverem votação igual ou superior a 10% do quociente eleitoral.

Em 2016, a cidade de São Paulo teve quociente de 97.465. A barreira para os vereadores, naquela ocasião, foi de 9.746 votos.

O professor e cientista político Fernando Schüler avalia que, de maneira geral, os eleitores têm pouco incentivo para buscar informação sobre os candidatos, já que percebem que têm pouco poder individual de decisão em uma eleição.

“O custo dessa informação é muito alto, visto o resultado que ela vai produzir. Isso leva a um fenômeno clássico em qualquer eleição, que é o baixo índice de formação dos eleitores”, afirma. “Eles têm pouca informação e agem de maneira pouco cuidadosa, tendem a votar com razões superficiais, com base no parentesco ou em amizade. Como o vereador está muito próximo das pessoas, todo mundo conhece algum candidato, ou tem algum parentesco, amizade.”

Então, como escolher?

Para Schüler, o ideal seria que as pessoas acompanhassem o trabalho dos vereadores ao longo do mandato e fiscalizassem os votos e decisões tomadas pelos parlamentares durante os anos. “Uma parcela relevante das pessoas sequer se lembra em quem votou na última eleição. A maioria das pessoas fiscaliza muito pouco o que os vereadores eleitos fazem.”

O cientista político avalia, no entanto, que é irrealista acreditar que essa fiscalização possa acontecer. “As pessoas devem, na medida do possível, se informar sobre assuntos políticos, para diferenciar os assuntos que realmente importam dos assuntos que são futrica eleitoral. Brigas e bate-bocas são irrelevantes para a política.

Para escolher seu candidato, Schüler recomenda que os eleitores façam um exercício de introspecção. “Quais são as questões fundamentais? Aí varia de pessoa para pessoa. Mas são as grandes decisões que afetam a vida da cidade. É necessário pensar o que é importante para você na decisão pública.”

Dicas para facilitar sua escolha

DivulgaCand

O TSE apresenta informações de todos os candidatos. Estão dis- poníveis dados como lista de bens declara- dos, total de recursos financeiros recebidos e informações sobre doa- dores das campanhas.

Site da Câmara

No site da Câmara, o cidadão pode ver como cada vereador eleito gastou o dinheiro público ao longo dos anos. Assim, fica mais fácil avaliar se vale a pena votar no mesmo candidato para mais um mandato.

Redes sociais

Cada vez mais presentes nas campanhas, principalmente na pandemia, as redes sociais são uma boa forma de acompanhar possíveis escolhas para o voto. Muitos candidatos são ativos em perfis no Facebook, Instagram e Twitter.

 


*Supervisão: Luccas Balacci