150 mil casos de câncer deixaram de ser diagnosticados

Número é explicado pelo distanciamento social, já que pacientes pararam de ir ao médico. Especialista alerta: população deve voltar à rotina de exames mesmo com a pandemia

Por Diego Brito com Rádio Bandeirantes

A pandemia do novo coronavírus ligou um sinal de alerta na situação da segunda doença que mais causa vítimas fatais no Brasil todos os anos: o câncer.

De acordo com levantamento da SBCO (Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica e da SBP (Sociedade Brasileira de Patologia), cerca de 50 mil novos casos de câncer deixaram de ser diagnosticados entre março e maio deste ano por causa da pandemia de covid-19. A estimativa é que este número já possa ter chegado a 150 mil.

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A explicação para a redução nos diagnósticos passa pelo receio dos pacientes em irem ao médico durante o isolamento social, além do esforço da rede de saúde no Brasil ter sido concentrado no tratamento das pessoas que contraíram o novo coronavírus.

De acordo com o presidente da SBCO, Alexandre Ferreira de Oliveira, “chegou a hora de colocar a casa em ordem”. “As pessoas precisam perder o medo de procurar o médico por causa da pandemia. A rotina de exames precisa voltar ao normal seguindo, claro, todas as recomendações de segurança que já conhecemos, como evitar aglomeração e utilizar máscara e álcool gel”, afirmou.

O especialista também avalia que as recentes flexibilizações das medidas de combate ao coronavírus fizeram com que houvesse “um aumento súbito no atendimento porque diversos casos ficaram represados”.

Câncer no Brasil em 2020

Número de novos casos (cinco principais) até maio deste ano

Em mulheres:

• Mama feminina – 66.280 (29,7%)
• Cólon e reto – 20.470 (9,2%)
• Colo do útero – 16.710 (7,5%)
• Traqueia, brônquio e pulmão – 12.440 (5,6%)
• Glândula tireoide – 11.950 (5,4%)

Em homens:

• Próstata – 65.840 (29,2%)
• Cólon e reto – 20.540 (9,1%)
• Traqueia, brônquio e pulmão – 17.760 (7,9%)
• Estômago – 13.360 (5,9%)
• Cavidade oral – 11.200 (5%)

Fonte: Ministério da Saúde/Instituto Nacional de Câncer

Entrevista: Alexandre Ferreira de Oliveira

Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica

O quanto a pandemia influenciou nos diagnósticos?
Houve uma queda de 70% no diagnóstico de pacientes com câncer, principalmente durante os três primeiros meses, entre março e maio. Muitas pessoas pararam de fazer o acompanhamento logo no início da pandemia porque não sabíamos efetivamente o nível de transmissibilidade do coronavírus, então os pacientes deixaram de ir ao médico com medo da contaminação. Claro, de forma correta. Porém, agora o panorama mudou. Com a flexibilização nos últimos meses, muitos colegas estão vendo um aumento súbito de atendimentos porque diversos casos ficaram represados.

Essa situação pode fazer com que tenha um aumento no número de mortes por câncer?
Só saberemos o impacto de tudo isso no ano que vem ou talvez daqui dois ou três anos, principalmente em relação aos pacientes que não tiveram o diagnóstico na fase inicial do câncer durante este período.

Qual a orientação agora?
As pessoas precisam perder o medo de procurar o médico. Chegou a hora de botar a casa em ordem. A pandemia não vai passar agora, a vacina provavelmente não vai chegar este ano. A população tem de se adaptar aos novos tempos. O coronavírus é algo que você pode a vir ter, o câncer está acontecendo. É necessário voltar aos exames de rotina, mas claro, sem deixar de seguir todos as recomendações que já conhecemos, como utilização de máscara e álcool gel, além de evitar aglomerações, principalmente em hospitais.

Quais são os principais cuidados de prevenção?
Prevenir é ter atos saudáveis. Deixar de fumar, combater a obesidade, evitar bebida alcoólica, fazer atividades físicas, evitar alimentos com conservantes e etc. A parte do rastreamento, que é diferente, tem como foco a realização dos exames de detecção após suspeita.

Alexandre Ferreira de Oliveira Alexandre Ferreira de Oliveira, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica / Divulgação
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