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Voluntária recebe CoronaVac em São Paulo | / Divulgação/Governo de São PauloVoluntária recebe CoronaVac em São Paulo |  / Divulgação/Governo de São Paulo
Foco 20/10/2020

CoronaVac comprova segurança, mas expectativa de vacinar perde prazo

Covid-19. Experiência com brasileiros mostra que vacina chinesa não produz efeitos graves. Comprovação da eficácia, porém, não está pronta, o que compromete imunização em 2020

Testes realizados no Brasil mostram que a vacina chinesa CoronaVac é a mais segura até aqui entre todos os imunizantes contra o novo coronavírus estudados no país, segundo o Instituto Butantan, do governo de São Paulo. Os dados disponíveis, porém, ainda não permitem garantir que as doses poderão ser aplicadas a partir de dezembro, como previa o governo.

Os experimentos realizados desde julho em parceira com a farmacêutica Sinovac revelam que os 9 mil voluntários que tomaram a dose no Brasil relataram apenas efeitos colaterais leves e nenhuma reação adversa grave.

De acordo com os resultados, 35% dos participantes que receberam a vacina chinesa ou placebo tiveram alguma reação. Em outros estudos, esse percentual foi de, no mínimo, 77%.

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Entre os que tiveram respostas negativas, a maior parte relatou efeitos colaterais leves, como dor no local da aplicação (19%), dor de cabeça (10%) ou cansaço, calafrio e náusea, em patamares de até 5%. Casos de febre baixa foram registrados em 0,1% dos participantes (em outros estudos esse índice já bateu 40%) e nenhum deles relatou reação adversa grave, como febre alta, que nos testes de outras vacinas chegou a 8,3%.

“O comparativo desses dados com o que está disponível na literatura científica das vacinas que estão sendo testadas mostra que a vacina do Butantan é a mais segura neste momento, não só no Brasil, mas no mundo”, disse o diretor Dimas Covas.

Prazo comprometido

A expectativa era de que os resultados sobre a eficácia da CoronaVac em combater a covid-19 também fossem apresentados ontem, mas esse levantamento deverá ficar pronto só no fim do ano.

O governo ainda precisa ampliar a testagem para até 13 mil voluntários e também experimentar a dose em um número mínimo de participantes que tenham tido contato com o novo coronavírus.

Diante disso, as autoridades evitaram ontem garantir o início da vacinação a partir de 15 de dezembro (nos profissionais da saúde), como havia anunciado o governador João Doria (PSDB).. “As perspectivas são relativamente otimistas, mas não podemos dar uma data precisa de quando isso vai acontecer”, disse ontem Covas.

Antes de ser oferecida à população, a vacina ainda precisa ser aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que leva aos menos dois meses para emitir o parecer, na avaliação mais célere, o que torna muito difícil a liberação ainda neste ano.

‘Vacina não será obrigatória’

O presidente Jair Bolsonaro reafirmou ontem que uma possível vacina contra a covid-19 não será de aplicação obrigatória no país, ainda que seja oferecida gratuitamente pelo governo.

“A lei é bem clara e quem define isso é o Ministério da Saúde. O meu ministro da Saúde já disse que não será obrigatória essa vacina e ponto final”, disse.

Bolsonaro já havia sinalizado que a dose não seria compulsória na última sexta-feira, mesmo dia em que Doria havia dito que a vacinação seria obrigatória no estado de São Paulo.

“Tem um governador que está se intitulando o médico do Brasil”,  disse ontem Bolsonaro, sem citar Doria, que respondeu. “Quero agradecer ao presidente por me qualificar como médico. É o que temos feito, confiar nos médicos e na ciência.”