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Foco 20/10/2020

Trabalhador brasileiro está entre os que mais temem perder o emprego

As incertezas geradas pela pandemia do novo coronavírus levam ao menos 63% dos trabalhadores a temerem perder suas vagas nos próximos 12 meses no Brasil. A pesquisa divulgada na segunda-feira (19) pelo Fórum Econômico Mundial coloca o país entre os que mais compartilham do sentimento de insegurança entre os 27 analisados pelo instituto Ipsos. Foram ouvidos 12 mil trabalhadores, com idades entre 16 e 72 anos.

O Brasil aparece na nona posição entre os mais temerosos em relação ao emprego, à frente de países como Argentina (60%), Índia (57%) e China (38%). A nação com trabalhadores mais otimistas é a Alemanha (26%), seguida de Suécia (30%) e Holanda (36%). O Brasil está acima da média global, que tem índice de 54%.

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A boa notícia é que os brasileiros estão também entre os que mais acreditam que podem adquirir novas habilidades na empresa em que trabalham para superar a atual crise. A resposta de 79% dos trabalhadores foi afirmativa para essa expectativa, superando a média global de 67%. Veja mais dados na tabela ao lado.

A análise do Fórum Econômico Mundial é de que a crise da covid-19 acelerou as tendências para a automação e o uso de inteligência artificial. “Os empregos certamente desaparecerão – mas estão surgindo novos que exigem habilidades diferentes”, diz o órgão.

Para 2021, a expectativa do Fórum é de ambiente conturbado conforme os governos forem retirando programas emergenciais de auxílio às empresas para manter funcionários.

No Brasil, por exemplo, o Ministério da Economia pretende manter até dezembro o BEm (Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda). Desde o lançamento, em abril, quase 10 milhões de empregados passaram por suspensão de contratos ou redução de jornada e salário.

Crise acelerou automação

Antes da pandemia, a previsão era que, até 2030, cerca de 14% dos trabalhadores globais teriam de trocar de ocupação por causa da automação, segundo a consultoria Mckinsey. Isso significa cerca de 16 milhões de postos no Brasil. Com o novo coronavírus, o prazo deve ser encurtado.

Nesse processo, funções como operador de telemarketing, caixas, analistas de crédito e atividades rotineiras de escritórios estão na berlinda. Quanto mais baixa a qualificação, maior será a possibilidade de digitalização.

Alguns setores começaram a viver essa realidade antes da pandemia. Os bancos perderam em 2019 quase 10 mil postos de trabalho. A inteligência artificial já consegue contratar seguros e fornecer empréstimos, por exemplo.

Para o Fórum Econômico Mundial, porém, as empresas que investem em requalificar podem despontar no cenário atual. “O capital humano é um ativo crucial de qualquer empresa. Ele destaca como, em uma era de tecnologia onipresente, são as habilidades humanas, a criatividade e a capacidade que formarão a vantagem competitiva. Financiar e implementar uma ‘revolução de requalificação’ é um investimento crítico para negócios, trabalhadores e economias”, diz o órgão.  Metro com Estadão Conteúdo