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Eleitores passam horas na fila para a votação / Sean Rayford/Getty ImagesEleitores passam horas na fila para a votação / Sean Rayford/Getty Images
Foco 19/10/2020

Estados Unidos têm recorde de votos antes da eleição

Em votação não obrigatória, pleito já movimentou 22 milhões de eleitores. Para 75%, o assunto ‘não sai da cabeça’

As eleições norte-americanas ocorrem apenas no dia 3 de novembro. Mas, mesmo assim, ao menos 22 milhões de pessoas já escolheram quem gostariam de ver no posto de presidente para os próximos quatro anos. O índice recorde foi coletado pelo Elections Project, uma iniciativa da Universidade da Flórida e liderada pelo professor Michael McDonald. Segundo o projeto, os votos computados ainda podem subir, já que mais de 50 milhões de pessoas fizeram solicitação para votar antecipadamente.

Nos Estados Unidos, é possível votar pelo correio ou em urnas antes da eleição. Parece confuso se pensarmos no sistema brasileiro, em que utilizamos urnas eletrônicas e só se vota no dia do pleito. Mas lá, a modalidade do voto a distância acontece desde a Guerra Civil, quando a situação até era um pouco parecida com a pandemia de covid-19.

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Era década de 1860 quando muitos eleitores dos EUA, em meio à guerra, não conseguiram comparecer aos locais de votação. Mas, se hoje o atual presidente dos EUA, Donald Trump, é um dos principais críticos ao voto por correio, não deve saber que, quando originado, foi uma ideia dos republicanos, seu atual partido. Liderados pelo então presidente Abraham Lincoln, os membros do partido de Trump queriam garantir que os soldados em campo de batalha votassem. Alegando “fraude eleitoral” e “esquema de corrupção”, foi a vez dos democratas irem contra aquele tipo de eleição.

Para a professora de relações internacionais da PUC-SP, Luiza Mateo, o pleito deste ano é histórico não só por acontecer em meio à pandemia, mas também pela atual mobilização – que pode estar relacionada ao posicionamento dos candidatos frente ao processo eleitoral e a prevenção à covid-19.

“O eleitorado americano, muito dividido, tem potencial de participação diferente. Muito provavelmente, o voto por correio e antecipado será mais acionado pelos democratas do que pelos republicanos e isso muito em função de certo negacionismo e menor preocupação com as regras de distanciamento por parte dos eleitores de Trump, incentivados pelo próprio presidente”, explica a professora.


*Com supervisão de Vanessa Selicani