Secretários de saúde pedem que ministério considere o uso de vacina chinesa

Pandemia. Ofício do Conass foi enviado após a pasta da Saúde apresentar cronograma prevendo imunização em abril ignorando a CoronaVac, que pode ser distribuída ainda em 2020

Por André Vieira - Metro World News

O Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) enviou nesta quinta-feira (15) ofício ao Ministério da Saúde pedindo que a pasta considere a inclusão da vacina chinesa CoronaVac no Programa Nacional de Imunização. O imunizante está em fase final de testes e já há acordo para a distribuição com o governo de São Paulo.

O pleito foi encaminhado um dia depois da reunião entre a pasta e os secretários de saúde dos estados em que o governo federal apresentou a estratégia de imunização para a covid-19 sem prever o uso da vacina chinesa.

Pelo cronograma, o governo estimou que a campanha de vacinação poderá ter início em abril de 2021 com a vacina que está sendo desenvolvida pela Universidade de Oxford e o laboratório AstraZeneca – e que já tem acordo de distribuição com a União por meio da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

A vacina de Oxford e a CoronaVac estão na mesma fase 3 de testes – a última antes da aprovação –, mas a expectativa é de que o imunizante chinês possa ser aprovado antes, com distribuição já em dezembro.

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Fundação Renova - outubro 2020

No ofício, o Conass pediu que o ministério adote “as medidas necessárias e imediatas” para a inclusão da CoronaVac no programa, “assim como a de quaisquer outras vacinas produzidas e testadas por outras indústrias, que possuam condições de eficácia, segurança e produção disponível para iniciar a vacinação no menor espaço temporal possível”.

Ajustando a dose

O acordo de R$ 507 milhões do Instituto Butantan, do governo de São Paulo, com a Sinovac (que desenvolve a CoronaVac) prevê o fornecimento de 46 milhões de doses até o fim de 2020.

A expectativa do governo paulista é de que o ministério se comprometa a comprar mais vacinas, a serem produzidas no Butantan, e a organizar uma campanha nacional de imunização, caso haja aprovação – o que vai exigir investimento perto de R$ 2 bilhões.

Se isso não ocorrer, o governo de São Paulo pode colocar em prática o seu plano B, que é o de organizar individualmente uma campanha voltada apenas para vacinar os paulistas e fazer acordos depois com os outros estados interessados.

O debate fez ressurgir as interpretações de que as medidas para o enfrentamento da covid-19 no país estão sob influência de questões políticas e eleitorais – o que foi negado tanto pelo ministério (leia mais abaixo) quanto pelo estado de São Paulo.

O governador João Doria (PSDB) disse que espera entrar em entendimento com o governo federal no encontro que terá com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, na próxima quarta-feira.

“Tendo a vacina, a ordem é vacinar. Não há razão para vacilar. A vacina tem que ser eficaz, não importa a origem”, afirmou Doria.

‘Todo imunizante será uma opção’

O Ministério da Saúde informou que acompanha os mais de 200 estudos em todo o mundo que buscam uma vacina contra o novo coronavírus e que poderá comprar e distribuir a dose que primeiro se mostrar eficaz, seja ela qual for.

Em nota ao Metro World News, a pasta afirmou que “está em constante avaliação de novas possibilidades e permanece em contato com o Butantan e outros institutos nacionais que buscam parcerias com laboratórios estrangeiros”.

“O imunizante que ficar pronto primeiro – o que significa atender todos os critérios de segurança e eficácia exigidos pela Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] –  será uma opção para aquisição”, completou.

Além da parceria pela vacina projetada por Oxford e a AstraZeneca, o ministério também aderiu ao Covax Facility, consórcio global que está desenvolvendo imunizantes para a covid-19. Juntos, os acordos já garantem o fornecimento de 140 milhões de doses.

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