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Clubes para consumo de maconha reabrem na Espanha | / Alberto Ortega/Getty Images
Foco 30/09/2020

Pandemia altera o consumo de drogas: saem cocaína e MDMA, entram álcool, maconha e tabaco

A pandemia global de covid-19 alterou dramaticamente todos os aspectos da vida moderna e isso inclui o uso de drogas, mercados ilícitos e a capacidade de países em fornecer ajuda e apoio aos usuários. É o que afirma relatório publicado neste mês pelo Observatório Europeu de Drogas e da  Toxicodependência.

O principal ponto abordado pela publicação foi estabelecer uma linha de base para o consumo de drogas entre os europeus de médio a longo prazo – a partir do cenário da covid-19.

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Segundo os autores, medidas rígidas de confinamento e restrição de circulação de pessoas fizeram com que acontecesse uma reorganização do consumo. Como exemplo, o relatório explica que as negociações “cara a cara”, entre vendedores e usuários, foram substituídas pelas compras de substâncias ilícitas virtuais e, para evitar exposição constante, as quantidades eram compradas de uma só vez.

“Também foram observados alguns sinais de declínio do interesse em substâncias como MDMA e cocaína que são comumente usados ​​em atividades sociais”, afirma o relatório. Já substâncias como maconha, álcool e tabaco, consideradas por especialistas como substâncias “de contexto de stress” foram mais consumidas durante a quarentena europeia.

Em entrevista ao Metro World News, o professor do departamento de relações internacionais da PUC-SP, Paulo Pereira, explica que não é incomum mudanças de consumo de substâncias lícitas e ilícitas em situações específicas como a pandemia de covid-19.

“Historicamente, em situações de conflitos [que podem também ser conflitos armados como guerras, por exemplo] e de stress, existe o uso de substâncias psicoativas que são separadas em dois blocos: o de aumentar o nível de atenção a partir de um determinado cenário ou as que reduzem fadiga e aumentam a desconexão em contextos de situação de stress, como é pandemia de covid-19”, afirma o professor.

Pereira ainda menciona que os hábitos de consumo também foram alterados por usuários como medidas de prevenção ao coronavírus. “Também se avalia qual tipo de droga pode gerar mais risco de infecção à covid-19, principalmente as que são compartilhadas como o cigarro de maconha e o canudo da cocaína.”

Sobre o aumento de consumo de álcool no Brasil, verificado durante o isolamento social, o professor lembra que uma das consequências foi o aumento dos episódios de violência doméstica no período.


Supervisão Vanessa Selicani