Inflação do aluguel dispara e valor pode ter alta de 18% em outubro

Por Vanessa Selicani - Metro World News

Será preciso muita negociação neste ano entre inquilinos e proprietários para que os valores dos aluguéis não subam mais do que os salários possam suportar. Isto porque, na maioria dos contratos, os reajustes têm legitimidade para chegar a alta de até 17,94% em outubro, valor acumulado em 12 meses do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado).

O índice medido pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) é o utilizado pelo mercado imobiliário para regular as locações. Apesar de ter em sua composição itens como matérias-primas agrícolas e industriais, fatores bem distantes da vida de quem paga aluguel, ele é adotado tradicionalmente nos imóveis principalmente por sua periodicidade.

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O IGP-M bate com folga o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) neste ano, por exemplo. Em 12 meses, o indicador usado para medir a inflação oficial do país está em 2,44%.

De acordo com o Secovi-SP (Sindicato da Habitação de São Paulo), com a divulgação do índice da FGV ontem de 4,34% em setembro e 17,94%, no acumulado, um inquilino que pagava R$ 1.500 e tem contrato com aniversário em outubro passará a pagar R$ 1.769,10.

O diretor de locação da MBigucci, Marcelo Bigucci, afirma que, na prática, a pandemia tem levado os proprietários a negociar os valores. “Principalmente no caso do comércio, bastante afetado pela crise, muita gente tem concedido até desconto para manter o locatário.” Ele conta, porém, que cada caso tem sido analisado pontualmente. “Para a locação residencial, tem prevalecido o IGP-M”, explica.

O vice-presidente de Intermediação Imobiliária e Marketing do Secovi-SP, Claudio Hermolin, diz que a recomendação neste momento é negociar e que ambas as partes precisam ter bom senso. “O proprietário precisa entender o momento do país e o locador também tem de pesar que aquela muitas vezes é a única fonte de renda de quem está locando. Aplicar apenas o índice, sem diálogo, não é a melhor solução.”

Baixa nos juros impulsiona vendas de imóveis

E se está ruim para quem precisa pagar aluguel, o momento é bom para quem quer comprar e tem dinheiro para investir em imóveis.

O mercado de vendas em agosto já supera o cenário de antes da crise do novo coronavírus na cidade de São Paulo. De acordo com dados do Secovi-SP (Sindicato da Habitação de São Paulo), foram comercializadas em agosto 6.350 unidades residenciais novas na capital paulista. O resultado foi 46,3% superior ao do mês de julho (4.341 unidades), e 35% acima do volume de vendas de agosto de 2019 (4.702 unidades).

De acordo com dados da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio), foram lançadas na cidade de São Paulo 8.039 unidades residenciais, volume 207,5% superior ao apurado em julho (2.614 unidades) e 26,4% acima do total de agosto do ano passado (6.358 unidades).

Imóveis com menos de 45 metros quadrados de área útil e com valor de até R$ 240 mil lideraram em vendas no mês.

O vice-presidente de Intermediação Imobiliária e Marketing do Secovi-SP, Claudio Hermolin, afirma que a reduçåo de juros na Selic e nos financiamentos imobiliários é um dos principais fatores para
o aquecimento.

“O mercado vive momento ímpar dos juros. Com a Selic baixa, em 2%, as pessoas buscam formas melhores de rentabilizar seus recursos. Ela procura outro investimento e o imobiliário é um porto seguro em momento de incertezas como o de agora. Há também as pessoas que aproveitam para aquisição de imóvel com taxas de 6% de financiamento ante 9% no ano passado. É uma queda relevante em um financiamento de longo prazo”, explica.

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