O que faço se meu salário for reduzido pela empresa?

Por Metro World News

O trabalhador que ganha acima de R$ 3 mil pode ter uma forte queda de renda caso o empregador decida reduzir a jornada e o salário, conforme previsto na medida provisória editada na última semana pelo governo. E, dependendo do caso, não haverá outra saída: cortar gastos e reorganizar a sua vida financeira.

A MP 936 permite a redução de salário e jornada ou até a suspensão do contrato de trabalho e prevê a complementação da remuneração do trabalhador pelo governo, tendo como base o seguro-desemprego. A medida tem o intuito de evitar demissões em massa em razão da crise do coronavírus.

Segundo simulações feitas pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), com reduções de 25%, 50% e 70% na jornada, o trabalhador que recebe R$ 1.500,00 mensais terá perdas que variam entre 5%, 10% e 14%, a depender do percentual de redução do salário.

Como regra geral, para rendimentos mais baixos, a reposição é quase integral. A perda se acentua, a partir de rendimentos acima dos R$ 2.666,00, pois o valor do benefício passa a ser constante, uma vez que o teto do seguro-desemprego é de R$ 1.813,03.

No caso de quem ganha R$ 4 mil, por exemplo, os cortes serão de 14%, 27% e 38%, para reduções de jornadas de 25%, 50% e 70%, respectivamente. Para a planejadora financeira CFP pela Planejar, Eliane Tanabe, quem teve o salário reduzido ou acha que há risco de ficar nessa situação precisa entrar com uma operação de contingenciamento radical, anotando todos os gastos e entradas de receitas previstos na próxima semana e meses seguintes, para definir o que é prioridade.

Na conta, também deve entrar o quanto a reserva de emergência vai conseguir cobrir esse período de redução. “Quem tem reserva de emergência tem ouro”, afirma. Segundo a planejadora, o ideal é cortar e priorizar gastos. “E se a situação não se sustentar é saudável fazer uma análise da carreira, de em quanto tempo pode se realocar, ou buscar uma renda complementar”, diz. Eliane afirma que quem tem dívidas deve colocar tudo no papel e cortar tudo o que for supérfluo. “É operação de guerra”, ressalta.

E, antes de buscar uma renegociação do débito, é preciso detalhar juros e prazos, para saber se as parcelas caberão no orçamento. A partir daí, o trabalhador pode buscar uma renegociação de taxas ou o alongamento de prazo. Para a planejadora, só como última hipótese ele deve buscar um financiamento para recompor a renda. O empréstimo pode ajudar, mas pode gerar descontrole financeiro. “O problema é quando começa usar com recorrência”, completa.

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