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Deputado do PSL arranca e quebra peça de exposição sobre racismo na Câmara

Uma placa exposta na Câmara dos Deputados por ocasião do Dia da Consciência Negra, comemorado nesta quarta-feira (20), foi arrancada e rasgada por um deputado nesta terça (19).

Coronel Tadeu, do PSL, retirou a peça da parede e quebrou-a com o pé. A placa trazia uma mensagem contra o genocídio da população negra, e estava fixada no túnel que leva ao Plenário da Câmara.

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A imagem mostra um jovem negro vestindo uma camiseta estampada com a bandeira do Brasil, algemado e deitado no chão. Ao seu lado, duas cápsulas de bala, e, afastando-se da cena, um homem branco vestido com farda policial.

Acompanha a figura o seguinte texto:

«O genocídio da população negra

O Atlas da Violência, editado pelo Instituto de Pesquisa Econômica (Ipea), revela que a desigualdade racial no Brasil se expressa de modo cristalino no que se refere à violência letal e às políticas de segurança pública. Os negros, especialmente os homens negros jovens, são o perfil mais frequente das vítimas de homicídio no Brasil, sendo muito mais vulneráveis do que os jovens não negros. Por sua vez, os negros sâo as principais vítimas da ação letal das polícias e o perfil predominante da população prisional do Brasil. A taxa de homicídio de mulheres negras também é assustadoramente maior do que a de mulheres não negras.

Negros e negras também estão mais propensos a sofrer com a deficiência estatal no oferecimento de serviços públicos básicos. As condições socioeconômicas de vulnerabilidade e o racismo institucional ajudam a explicar a mortandade«.

A peça faz parte da exposição «(Re)existir no Brasil: Trajetórias Negras Brasileiras«, aberta na segunda-feira. A mostra oficial da Câmara busca «traçar um breve panorama da resistência de negros e negras na história recente do país, bem como suas contribuições, conquistas e demandas».

O vídeo do momento foi compartilhado pelo deputado David Miranda, do PSOL, em sua conta no Twitter. O mesmo partido já afirmou que entrará com denúncia no Conselho de Ética contra o Coronel.

Caso concretizado, este não será o primeiro processo no Conselho de Ética contra o deputado. Em maio, Tadeu foi acusado de quebra de decoro parlamentar após afirmar que Geraldo Alckmin (PSDB), ex-governador do Estado de São Paulo, é «assassino de policiais» e tem envolvimento com milícias.

O militar ainda foi acusado por opositores de falsificar assinaturas para retirar tempo de fala de parlamentares contrários a uma proposta de decreto do governo.

À época, em fevereiro, Coronel Tadeu assinou o nome de ao menos quatro colegas de partido na lista de inscrição de oradores a favor da proposta. O deputado admite ter assinado em nome de outras pessoas – entre elas, Carla Zambelli e Alexandre Frota –, mas afirmou que a prática «é normal».

O deputado do PSL também conseguiu exposição no início de novembro, ao afirmar que «não vê a hora do [ex-presidente petista] Lula morrer».

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