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Foco 19/08/2019

Não é frescura, é fobia! Transtorno causa medo exagerado diante de algo que, teoricamente, não oferece risco

O medo e a ansiedade estão presentes na vida de quase todos nós e, em certa medida, ajudam a nos proteger de perigos. Mas quando eles se manifestam exageradamente diante de algo que, teoricamente, não oferece qualquer risco, entra em ação a fobia. Algumas fobias são até comuns, como de escuro (acluofobia), de altura (acrofobia) e de barata (catsaridafobia). Outras, no entanto, podem soar bem estranhas para a maioria de nós. Você já ouviu falar, por exemplo, em fobia de banana? E de espelhos? Sabia que tem gente que sente medo até de palavras grandes?

O psiquiatra Valber Dias explica que a fobia é o medo de um elemento específico e desencadeia no corpo reações agudas de ansiedade sem que haja uma real necessidade. “Por alguma associação equivocada, o cérebro entende estar diante de um perigo e aciona os mecanismos de defesa necessários para tirar a pessoa daquela situação”, diz.

Por isso, quem tem fobia normalmente sente vontade de correr ao se deparar com o seu “elemento fóbico”, ou seja, com aquilo que desperta o medo agudo. Outros sintomas são taquicardia, sudorese, falta de ar e angústia.

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Entre as crianças, o medo de palhaços (a coulrofobia), é até comum. Mas algumas pessoas acabam levando esse medo para a vida adulta. É o caso da advogada Cecília Izabela Koehler, 23 anos, que descobriu o medo de palhaços na adolescência.

“Quando ia ao circo, precisava me retirar na hora que o palhaço entrava em cena. Os sintomas são os mesmos até hoje. Começo a tremer, o coração acelera, sinto falta de ar e a pressão aumenta. Uma vez, quase desmaiei”, lembra.

No último verão, ela precisou correr ao ver um palhaço descer de um trenzinho infantil, em Guarapari. “É algo incontrolável. Meus amigos sabem do meu medo e entendem, mas muitas pessoas questionam se é sério e acham que é frescura”, diz.

Na maioria das vezes, quem tem fobia consegue se precaver evitando aquilo que desperta o medo. Mas, em alguns casos, o tratamento pode ser necessário. “As terapias são bastante indicadas. Uma possibilidade é treinar a pessoa a se controlar diante da situação fóbica”, explica o psiquiatra Mario Louzã.

Entenda o transtorno da fobia

  • O que é
    É o medo de um elemento específico que, teoricamente, não é ameaçador nem causa perigo. Por isso, é considerado um medo irracional
  • Origem
    A fobia normalmente tem origem em alguma associação equivocada que o cérebro faz. A pessoa transfere para um objeto ou para uma situação o medo de alguma outra coisa. Fatores genéticos e histórico familiar também podem ajudar a desencadear fobias
  • Como ela se manifesta
    Quando a pessoa se depara com aquilo que lhe provoca medo, o organismo aciona os mecanismos de defesa como se precisasse tirar a pessoa de um perigo real
  • O que acontece no corpo
    – A pupila dilata, como se a pessoa precisasse enxergar melhor
    – O cérebro libera uma descarga de adrenalina e noradrenalina, hormônios que ajudam nesse processo, e ativa reações que ajudam a pessoa a fugir ou lutar
    – O coração bate mais rápido, como se precisasse bombear sangue mais rapidamente
    – A respiração fica mais rápida, como se fosse necessário ter mais fôlego
    – O sistema nervoso simpático, responsável por preparar o corpo para situações de estresse e perigo, é ativado
    – Os músculos se contraem, como se fosse necessário para garantir mais força ao correr ou lutar
  • Principais sintomas
    – Angústia
    – Falta de ar
    – Dor no peito
    – Sudorese
    – Dificuldade de raciocínio
    – Palidez ou face avermelhada
    – Tremor nas mãos e pés
    – Necessidade irracional de fuga
    – Contração de musculatura Taquicardia
  • Tratamento
    Em alguns casos, pode-se fazer uso de medicamentos que ajudem a melhorar a qualidade de vida e trazer bem-estar. O acompanhamento psicológico, porém, é o mais indicado para que a pessoa possa descobrir a origem real do medo e vencê-lo. Terapias comportamentais também ajudam, por exemplo, treinando a pessoa a entrar em contato com aquilo que provoca a fobia e promovendo uma “reeducação” progressiva das reações do organismo
  • Fontes: psiquiatras Valber Dias Pinto e Mario Louzã

Algumas fobias

  • Bananafobia: Medo de bananas
  • Tripofobia: Fobia a buracos e padrões geométricos de formas redondas criados pela natureza
  • Motefobia: Medo de borboletas e mariposas
  • Bromidrofobia: Medo de odores do corpo
  • Coulrofobia: Medo de palhaços
  • Onfalofobia: Medo de umbigos
  • Eisoptrofobia ou catoptrofobia: Medo de espelhos, relacionado ao medo do sobrenatural
  • Hipopotomonstrosesquipedaliofobia: Medo de palavras grandes