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Turismo industrial tem espera de até 6 meses em São Bernardo

Cansado de ouvir em feiras de turismo que São Bernardo só tinha fábrica para ver, o diretor de Turismo e Eventos da Prefeitura de São Bernardo, Fernando Bonisio, resolveu dar voz à opinião pública. “Por que não transformar as indústrias em atração turística então?”

Em quatro anos de turismo industrial, a receita parece ter funcionado. A cidade tem fila de espera de até seis meses de pessoas interessadas em visitar as maiores empresas da cidade. Se no início do projeto apenas uma indústria participava com 15 vagas por mês, atualmente são 12 e total de 320 mensalmente. A previsão é que até o fim do ano sejam 18 fábricas, incluindo uma de cerveja.

Os visitantes vêm do país todo. A equipe de Bonisio realizou uma busca ativa por instituições de ensino superior no Brasil e as convidou para visitar o projeto. Apenas em Goiás, o diretor diz que 200 pessoas aguardam por vaga para participar da visita às indústrias da cidade. Neste ano, já foram cinco participações internacionais, a última de estudantes do Peru.

“O turismo industrial é nossa bandeira, nossa identidade. É o que faz São Bernardo hoje ser diferente das outras cidades. Se focarmos o ecoturismo, por exemplo, a gente ia trabalhar muito e se deparar com cidades bem mais consolidadas, como Brotas e Socorro, por exemplo. E o que ninguém tem e nós temos e podemos fazer a diferença? É justamente o turismo industrial”, disse Bonisio.

O perfil dos visitantes é principalmente de estudantes de olho no mercado de trabalho, mas há espaço também para curiosos sobre os processos de fabricação.

“É um turismo de experiência. A pessoa vai no forno da Wheaton, na câmara fria na Friozem, pode ver um míssil na Omnisys. O mais aguardado pelo pessoal é o test drive de caminhão na Scania”, contou.

Também participam do projeto empresas como a Henry Borden, na divisa com Cubatão, que gera energia elétrica, a química Basf e a montadora de veículos Volkswagen. São aguardadas até o fim do ano a concessionária Ecovias, a petroquímica Braskem e a produtora de cerveja Balmann.

Nem todas elas ficam em São Bernardo. “Estamos sendo procuradas por empresas de outras cidades do ABC. Em breve teremos congresso sobre o tema e quero incentivar que meus colegas das prefeituras também se empenhem no setor.”

Quem quiser participar do turismo industrial pode fazer pré-agendamento pelo telefone (11) 2630-4229. É possível encontrar mais informações no site www.turismoindustrialsbc.com.br.

Batismo na Cidade da Criança e resort
São Bernardo ganhou neste ano seu Plano de Diretor de Turismo, que traça metas para o setor que incluem ideias inusitadas como promover batismos na Cidade da Criança e construir um resort no Riacho Grande.

O documento inclui 78 ações de curto, médio e longo prazo e é uma das etapas para a cidade se torne MIT (Município de Interesse Turístico).

O título é dado pelo governo do Estado e pode render ao município verba de até R$ 700 mil por ano para projetos no turismo.

O diretor de Turismo e Eventos da Prefeitura de São Bernardo, Fernando Bonisio, explica que outra exigência para ser MIT é ter um conselho de turismo. “O grupo é quem vai escolher quais prioridades vão receber a verba do governo do Estado”, contou.

A proposta foi enviada para a assembleia em setembro e a expectativa é que seja aprovada até dezembro.

Bonisio afirma que tornar a Cidade da Criança em espaço para batismo e dar ao Riacho Grande um hotel são ideias possíveis, mas não são consideradas prioridade.

“A Cidade da Crianças já tem duas igrejas fictícias lá dentro que poderiam ser utilizadas e atrair mais público. Já no Riacho, tem áreas onde é possível construir. Mas temos outros projetos, ligados ao turismo industrial, por exemplo, que terão prioridade maior.”   

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