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Roubos a ônibus sobem 54% em São Paulo este ano

Andar de ônibus na capital paulista ficou mais perigoso neste ano. Dados da SPTrans, que administra o sistema de transporte público da cidade, mostram que, de janeiro a maio deste ano, 17 assaltos foram registrados a coletivos nas ruas de São Paulo, ante 11 reportados no mesmo período do ano passado pelas empresas de ônibus à central – aumento de 54%.

Os números não traduzem necessariamente a quantidade de ocorrências nos ônibus, pois são apenas os relatados pelas empresas – e nem sempre com registro da ocorrência na polícia.

Das três linhas com mais registros na SPTrans neste ano, duas têm um trajeto em comum: a rodovia Anhanguera. São a 8047 – Lapa-Jaraguá e a 8050 – Lapa-Parque Morro Doce (veja quadro).

E é na Anhanguera que aconteceu a maior parte dos roubos relatados: 9 das 13 ocorrências deste ano. A Polícia Militar informou que faz policiamento ostensivo na região (leia ao lado).

A secretária Roberta Andrade, 23 anos, sempre teve medo da linha 8047, que precisa tomar diariamente. Embora até hoje não tenha sido vítima, ela contou que sua prima foi assaltada nesse ônibus neste ano. “Era início da noite quando um ladrão entrou, anunciou o assalto e pegou a carteira e o celular de todo mundo, inclusive da minha prima”, contou. Segundo seu relato, o assaltante obrigou o motorista a parar na Anhanguera para ele descer.

Alguns não são tão ostensivos. Um amigo da assistente administrativa Sonia da Silva, 47 anos, estava no fundo do ônibus à noite, na linha 8050, quando um homem mostrou-lhe uma arma na cintura e pediu o celular dele. Com o aparelho tomado, o assaltante desceu no próximo ponto sem ninguém perceber o crime.

Outro ponto com mais concentração de ocorrências reportadas à central da SPTrans é a avenida Aricanduva (zona leste), onde aconteceram três dos quatro assaltos da linha 4311-Terminal Parque Dom Pedro 2º – Terminal São Mateus, a terceira entre as que mais tiveram assaltos.

“O perfil do roubo aos ônibus mudou”, disse Francisco Xavier da Silva, 41 anos, diretor da executiva do Sindicato dos Motoristas e Cobradores. “Antes os criminosos assaltavam o cobrador, porque havia muito dinheiro circulando e mesmo passes, que eles conseguiam revender. Agora, eles entram nos coletivos e fazem arrastão: levam pertences do motorista, do cobrador e dos passageiros.”

Silva disse que o sindicato se reuniu com a Secretaria de Segurança Pública no ano passado para pedir reforço nas medidas preventivas aos crimes.  

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