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Com tom otimista, Temer já planeja o pós-denúncia

Com a convicção de que, apesar da desgastado, ainda tem maioria no Congresso, o presidente Michel Temer (PMDB) prepara uma agenda mínima para depois da votação da denúncia de corrupção passiva, marcada para quarta-feira.

Em sintonia com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), Temer quer a pauta, com vocação reformista, saindo da paralisia caso a primeira denúncia seja mesmo engavetada.

A votação de depois de amanhã no plenário, aliás, será usada como um termômetro de o quanto o governo pode avançar. Cada voto será contabilizado como uma nova chance para Temer suplantar a grave crise.

Nos planos do Palácio do Planalto, a articulação vai desde a aprovação em mudanças na recém-aprovada reforma Trabalhista – que deve ser por medida provisória e precisa de maioria simples –, até maiores ambições, como a retomada da reforma da Previdência, que só sai do papel com aval de pelo menos 308 dos 513 deputados – depois vai para o Senado.

Mantendo a base aliada minimamente unida, Temer trabalha para que, senão toda, aprovar a reforma fatiada, com a fixação da idade mínima de aposentadoria – de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens – como prioridade.

Reforma ministerial

A disposição de uma ala do PSDB para romper com o governo, ainda que com a denúncia arquivada, é considerada uma movimentação natural e que deve ter uma resposta rápida. A saída dos tucanos deve forçar uma mudança na Esplanada dos Ministérios. A reforma ministerial desalojaria pelo menos dois ministros tucanos: Bruno Araújo (Cidades) e Luislinda Valois (Direitos Humanos).

Aloysio Nunes (Relações Exteriores) e Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) seriam mantidos, mas como cota pessoal do presidente.

A fidelidade em plenário, se confirmada, poderá beneficiar o Centrão – bloco liderado por PP, PR, PSD e PRB que soma em torno de 208 votos – e seria contemplado com até dois ministérios.

Nova denúncia

No Palácio do Planalto, há sinais de que as novas denúncias contra Temer – por obstrução de justiça e organização criminosa – só devem chegar no fim de agosto ou início de setembro, próximo ao fim do mandato do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

A possibilidade de as acusações serem unificadas agrada porque reduziria a chance de o desgaste se prolongar.

Novas revelações de delações premiadas, sobretudo do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do doleiro Lúcio Funaro são aguardadas, mas  com efeitos são imprevisíveis.

Votação

A votação da denúncia pela Câmara só começa com o quórum de 342 deputados –  mesmo número que precisa ser atingido para autorizar a abertura de processo pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Para arquivar o pedido, são necessários 172 votos. O governo espera contar com em torno de 300.

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