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Concorrência leva taxistas a criarem o ‘Uber clandestino’ em Campinas

Perdendo espaços cada vez maiores no mercado para aplicativos como Uber e Cabify, alguns taxistas de Campinas decidiram radicalizar.

A ApTáxi (Associação dos Taxistas de Campinas) diz ter registro de casos em que taxistas fazem o cadastro de carros particulares nesses aplicativos, mas prestam o serviço com os táxis.

O esquema funcionaria de forma relativamente simples: o taxista receberia o chamado pelo aplicativo de seu carro particular, mas faria o atendimento com o táxi – numa espécie de “Uber clandestino”.

Segundo o presidente da associação, Inácio Rodrigues, existem ao menos 100 taxistas na cidade que já se utilizariam dessa estratégia.

E a alegação é simples: para estes, é melhor ganhar pouco, a não ganhar nada.

Inácio avalia que esse comportamento é “totalmente condenável”, mas, segundo ele, pode ser explicado pela desorganização em que se transformou o sistema de transporte particular de passageiros na cidade. “Nós sofremos uma concorrência desleal e não há regulamentação alguma”, reclama. Ele estima que existam cerca de 3 mil motoristas cadastrados em aplicativos na cidade.

A Emdec informou recentemente que só vai tratar da regulamentação de aplicativos de transporte de passageiros individuais após definição no Senado Federal.

O taxista Antonio Araújo também condena a prática, mas vê isso como reflexo da crise. Diz que está há 18 anos no mercado e nunca viu crise tão grave. Diz que e renda caiu de R $ 300 para R $ 65 ao dia. O taxista Sidinei de Matos concorda com o colega. “Primeiro os permissionários começaram a demitir os auxiliares. Agora já tem gente entregando o carro”, revela.

Aplicativo diz que faz o controle de cadastrados

A Uber garantiu que faz um controle rigoroso sobre os motoristas parceiros e por conta disso, diz estranhar o fato de existirem os casos apontados pela ApTáxi.

Por meio da assessoria de imprensa a empresa informou que dispõe de um sistema de validação das corridas em que tanto o motorista quanto o usuário podem fazer uma avaliação sobre eventuais problemas na viagem.

Para a empresa, se algum usuário pedir um carro e receber outro, poderá reclamar e um processo de apuração será iniciado.

Também por meio de nota, a Cabify informa que não recebeu notificações por parte dos seus usuários sobre essa prática.

“A plataforma ressalta seu rígido processo de seleção tanto dos carros, que passam por vistoria presencial, quanto de motoristas parceiros, que inclui o envio de exames médico, psicotécnico e toxicológico”, diz a nota.  “A Cabify ainda esclarece que não aceita carros nesse modal em sua operação na cidade de Campinas”, finaliza.

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