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Pregando responsabilidade, Paulo Pinheiro tenta reeleição em São Caetano

selo-eleicoes-2016 eleicaoAtual prefeito de São Caetano, após vencer as eleições de 2012 com 63,35% do total de votos, Paulo Pinheiro (PMDB) tenta a reeleição neste ano. Além de quatro anos no comando da cidade, Pinheiro foi vereador durante 16 anos. Médico de formação, ele afirma ao Metro Jornal que tem como principal foco continuar a sanar as dívidas e começar a implementar novos projetos.

Qual é o foco da sua campanha?
Falar para a população o que queremos fazer na gestão seguinte. Os moradores têm que saber o que o candidato Paulo Pinheiro está pensando para São Caetano no futuro. Todas essas ideias que a população colaborou no plano de governo estão sendo catalogadas e serão colocadas em prática.

Quais são suas principais propostas?

Um dos itens é instalar wi-fi em todos os parques da cidade. Trazer iluminação de LED, que coloquei no meu mandato e hoje só existem em duas vias, mas vamos atender o máximo possível na gestão seguinte. Também temos a ideia de fazer um parque no bairro Fundação, que é importante para os moradores. Vamos ampliar o número de salas de aula, porque com a verticalização que a cidade sofreu precisaremos de mais salas de aula.

Como avalia seu atual governo e o que difere do anterior?
Se comparamos com a gestão anterior, todos os serviços melhoraram. Na área de segurança, 30% da população reclamava de segurança, hoje só 6%. Fomos a São Paulo receber o prêmio “São Caetano a cidade mais segura do Brasil”. A criminalidade vai sempre existir, mas o percentual caiu bastante. Foi a cidade em que mais caiu o índice no Estado. Hoje temos mais policiais nas ruas porque fizemos convênio com o governo do Estado, que é a “Atividade Delegada”, em que o policial, na sua hora de folga, pode estar servindo ao munícipe. Fizemos o mesmo convênio com a guarda municipal. Na área da saúde, também melhoramos bastante. Quando entrei na prefeitura, roupa de cama quase não existia nos hospitais e regularizamos isso. Faltava medicamento e também regularizamos. Implantamos o melhor serviço de oftalmologia do Brasil na cidade. Trouxemos o “Terceiro Turno”, que não tinha.

Fizemos também nosso mutirão da saúde, que recebe 3 mil pessoas todo mês. No segmento da educação, implantamos o “Currículo Escolar”. Cada escola tinha seu método de ensino, mas hoje temos um currículo único. Isso já surtiu efeito, porque São Caetano no ano passado foi o primeiro na prova do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Também foi a única cidade (da região) neste ano que deu, logo no início das aulas, kit escolar de primeira qualidade.

Aluno de família humilde de São Caetano pode estudar desde o ensino fundamental até a faculdade sem gastar nenhum centavo. Damos também bolsa para pós-graduação e isso não existe em lugar nenhum no Brasil. Melhoramos os salários dos professores. A infraestrutura da cidade é a mesma coisa. Você está vendo ela toda limpa, com varrição diária, praças e jardins bem cuidados. O morador sente que a casa está arrumada, que a cidade está boa para viver.

Vê algum ponto negativo no mandato?
Não posso dizer negativo, mas posso dizer que gostaria de ter feito mais. Pelo pouco recurso que tive, pela dívida herdada e pela recessão que o país passa, dificultou realmente aquilo que tinha em mente. Mas o que sobrou de recursos, investi em serviços para que a população se sentisse amparada.

O que o senhor acha que pode fazer de melhor no próximo mandato?

Agora estou recuperando a cidade. Estou pagando uma dívida de R$ 263 milhões que herdei. Paguei R$ 158 milhões. Estou sanando para que no governo seguinte eu possa estar mais à vontade para poder melhorar mais ainda a vida do munícipe de São Caetano.

Como investir em novos projetos com pouco dinheiro em caixa nos próximos anos?

Essa recessão não vai durar muito tempo. Queremos que essa situação acabe e os recursos aumentem para estarmos contribuindo mais com os serviços na cidade. Esse ano já deixamos de arrecadar bastante em relação ao ano passado. Nossas despesas não são as mesmas, pelo contrário, aumentaram. O munícipe que ficou desempregado tinha o filho na escola particular e tirou para colocar na pública. Tinha plano de saúde e está usando a rede pública, aumentando nossos gastos.

O que o senhor pretende fazer com o Hospital São Caetano?

Logo que iniciei minha gestão, fui atrás do governo federal para ele adquirir o imóvel e dar para São Caetano colocar em funcionamento, mas infelizmente ele não pôde porque a Superintendência do Patrimônio da União viu que tinha pendência trabalhista no negócio. Fiz outro pleito com os governos estadual e federal. O custeio da unidade ficaria 50% para a União e 50% para o Estado, mas infelizmente a compra do hospital não pôde ser feita novamente. Queremos realmente ter a possibilidade na próxima gestão de ter um hospital que possa prestar serviço de qualidade.

O terreno da Matarazzo tinha proposta para ser transformado em parque. O que pode ser feito?

Vamos conversar com a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) para que eles autorizem a construção do parque lá. São 17 mil metros quadrados de uma área substancial que vai realmente melhorar a vida dos moradores daquele bairro.

O senhor tentou limitar o acesso aos serviços de saúde para pessoas que não são da cidade. Pretende continuar com esse proposta? 

Na última gestão, o ex-prefeito abriu o governo para dar cartão saúde para um monte de gente. Fiz o recadastramento de quase 300 mil cartões e diminui para 140 mil. Foram quase 160 mil a menos, para você ver quanto a prefeitura economizou em pessoas de fora. Não quer dizer que eles não têm direito a saúde, mas o Estado e a União precisam colaborar com o município no custeio. Temos o pronto-socorro infantil e não pudemos negar atendimento, então entre 70% e 80% das pessoas que vão ali são de fora. No pronto-socorro adulto, mais ou menos 70% são de fora. Só que os gastos são do município, são os moradores que pagam essa conta com impostos. O que queremos é pedir aos governos federal e estadual que nos ajude. Não é deixar de atender, é que nos auxilie a atender cada vez melhor.

Um dos slogans usados pelo senhor durante a campanha é “Foi Paulo Que Fez”, muito utilizado pelo ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf. Qual a relação entre você e ele?

Acho que cada governo tem sua característica. O Paulo Maluf teve a sua, eu tive a minha. O que eu quero é que as características sejam em prol da população, não para benefício próprio. Isso eu fiz desde meu primeiro dia de mandato. Coloquei a cidade em ordem, com o pé no chão, com responsabilidade, mas consciente e sem fazer besteiras. Sempre precisa melhorar, mas com o pouco recurso que tinha fiz com pé no chão e responsabilidade. Tem gente que fala “Eu faço. Eu ergo um prédio”, mas muitas vezes a prioridade não é aquela. E se erguer, tem que pagar. Isso é responsabilidade, não dar um passo maior do que a perna. Na minha gestão, o foco foi melhorar os serviços e a qualidade para que a população se sinta amparada pelo poder público.

Logo com três meses de gestão sua vice rompeu com o senhor. Se arrepende de tê-la indicado?

Me arrependo porque se tem vice é para ajudar o prefeito. Infelizmente logo no início coloquei o marido dela para ser meu ouvidor municipal, mas depois vi que a lei dizia que para o cargo precisava ter curso superior. Ela queria que eu o mantivesse. Aí veio o rompimento e ela foi para a oposição. Que vá com Deus!

Qual é o critério do senhor dessa vez na escolha de Jorge Salgado (PTB)?

Uma pessoa que é política, que quer realmente o bem da cidade. Já comprovou com quatro mandatos. A população conhece meu vice como pessoa honesta, com caráter, com família, que administra a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de São Caetano há muitos anos. Uma pessoa de confiança que não quer o bem dele, quer o bem da coletividade.

A eleição passada ficou marcada por acusações pessoais e nessa já começaram algumas. Novamente será dessa forma, um acusando o outro?

Acho que é a característica dessa oposição. Na eleição passada teve e só me defendi. Esse ano já começou isso e só me defendo. A população não quer e não atura mais isso. Infelizmente, eles vão com essas baixarias, colocando panfletos toda semana. É a característica deles e não podemos mudar.

O ex-prefeito e atual candidato José Auricchio Júnior (PSDB) disse que seu governo não instalou nenhuma sala de aula ao longo do mandato. Acha que esse foi um defeito da sua atual gestão?

Isso é culpa dele, porque se eu encontrasse uma cidade sanada, poderia ter construído umas 10 escolas só com os R$ 263 milhões que ele deixou de dívida, que já paguei R$ 158 milhões. Só com o que quitei, daria para construir 20 escolas ou mais. Infelizmente, a administração passada foi feita de uma maneira irresponsável. Tive vontade, mas só consegui fazer uma escola infantil para 200 crianças, que até o final do ano será finalizada. Antes não tinha recurso e tinha necessidade de fazer. Com pouca verba, consegui ampliar escolas e aumentar o número de salas de aula dentro do espaço das que existiam. Foram 400 novos alunos e com mais essa unidade nova serão mais 200 crianças. Isso com pouco recurso. O dinheiro que paguei dele prejudicou minha administração. Por isso ele fala que não construí. Escola e prédio que ele fez, quem pagou fui eu. Já paguei mais do que ele construiu.

O senhor não sabia dessa dívida antes de assumir o mandato?

Não. E eu era vereador. Nenhum de nós também sabíamos. O gestor, ao longo do mandato, todo ano tem que zerar a conta. O prefeito passado, segundo ele, foi zerando as contas. No último ano é que deixou esse rombo de R$ 263 milhões. Quero saber onde gastou esse dinheiro em um ano.

Como avalia a saúde financeira hoje de São Caetano e o que pode fazer para melhorar?

Fora esse dinheiro que ainda falta pagar da gestão anterior, zerei as contas em todos esses anos. Ainda está para ser fechada de 2016 para 2017. Queremos ter um governo responsável, fazer o que pode, andar com as próprias pernas e não fazer coisas que não podemos pagar. Essa é minha preocupação. O que queremos é ter um governo responsável, consciente, sem fazer besteira e que a população realmente acredite nesse mandato. Poderia estar melhor, não vou negar. Mas com o pouco recurso que tive fiz o que pude.

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