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Luiz Estevão liga eleições no Distrito Federal à Lava Jato em novo áudio

Mais um grampo da deputada Liliane Roriz (PTB) veio à tona nesta semana, desta vez envolvendo outro personagem da cena política brasiliense: em conversa com a parlamentar, gravada em abril do ano passado, o ex-senador Luiz Estevão fala sobre esquemas de corrupção na capital, alegando que “de 100 caras da cidade, 90 são bandidos”; e chega a dizer que é o único “bandido diplomado de Brasília”, em referência a suas condenações. O empresário cumpre pena no Complexo da Papuda por desvios em obra do fórum trabalhista de São Paulo ocorridos há quase 20 anos.

Um trecho da gravação, que será analisada pelo MPDFT (Ministério Público do Distrito Federal e Territórios), foi divulgado pela Rede Globo. Quem também foi gravado na mesma conversa é o ex-secretário geral da Câmara Legislativa do DF Valério Neves. O registro faz parte de uma série de grampos entregues por Liliane ao MP, que investiga esquema de corrupção e propina na Casa juntamente com a Polícia Civil, em operação batizada de “Drácon” (leia mais ao lado). O primeiro áudio divulgado culminou no afastamento de toda a Mesa Diretora da Câmara.

Lava-Jato

Outro trecho da mesma conversa sobrepõe-se ao escândalo da Câmara Legislativa e chega à Operação Lava-Jato – Luiz Estevão insinua, em determinado momento, que o ex-senador Gim Argello, preso pela Polícia Federal em Curitiba, teria recebido dinheiro de empreiteiras que não queriam ser alvos da CPI da Petrobras, no Congresso e que o destino do dinheiro seria a campanha da própria Liliane.

“Você [Liliane], por exemplo, nessas eleições, você não precisou tirar dinheiro do seu bolso, tá? Foi uma situação que não se repete. Você não terá um Gim Argello, vice-presidente de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a Petrobras, em que as empreiteiras pagariam qualquer preço ao Gim para que ele evitasse que elas fossem convocadas”, diz Luiz Estevão. O áudio também está em posse do MPF (Ministério Público Federal).

A origem do escândalo da Câmara 

O primeiro áudio de Liliane que foi divulgado na imprensa envolveu a presidente afastada da Câmara Legislativa, Celina Leão (PPS). Na ocasião, foi citado um esquema em que R$ 30 milhões em emendas parlamentares, valor previsto inicialmente para reparos em escolas, teriam sido direcionadas propositalmente para pagamentos de dívidas do governo com fornecedoras de UTI, mediante acordo feito com as próprias empresas. Em troca da manobra, vários distritais e o ex-secretário geral da Casa teriam recebido propina.

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