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Em Porto Alegre, cartazes sugerem que bairro Tristeza mude de nome

Um mistério vem intrigando moradores do bairro Tristeza, na zona sul da capital de Porto Alegre. Há cerca de uma semana, diversos cartazes amarelos foram espalhados pelas ruas da região, anunciando que algo ou alguém pretende “mudar o nome da Tristeza”. A ideia, entretanto, não está sendo bem recebida pelos moradores. Quando perguntados se aprovam ou não a mudança, eles não demonstram alegria, nem a famigerada tristeza, mas sim um misto de estranhamento e incomodação.

“Me parece uma grande falta do que fazer, na verdade. Certamente não é algo oficial, por parte do poder público, já que eles não fariam esse suspense. Ninguém gostou da ideia”, criticou nesta quarta-feira à tarde o aposentado Reinaldo Fernandes, 70 anos.

“Eu moro aqui há 40 anos e posso te garantir que é um dos bairros mais alegres desta cidade. Não tem nada de tristeza nessas bandas. O que tem é muita árvore, parques, sol, criança e gente bonita. É só alegria”, complementa Fernandes, já mais descontraído.

Outra suspeita dos “tristezenses” é que se trate de uma campanha publicitária. “Estão construindo uns prédios na Wenceslau Escobar. Talvez seja alguma propaganda, para vender os apartamentos”, conjectura a estudante Clarissa Ribeiro, 17.

Já a professora Regina Oliveira, 48, pensa diferente. “Tem toda a cara de ação publicitária, mas não acredito que seja para vender qualquer coisa. Deve ser um projeto diferente, de alguma ONG. Mas mudar o nome do bairro eu tenho certeza que não é”, opina.

Suspense na internet

Além da condenada proposta de mudar o triste nome do alegre bairro, o misterioso cartaz também divulga um endereço eletrônico (mudatristeza.org), onde algumas dúvidas são esclarecidas. No topo da página está um link para uma petição online. De acordo com o documento – que, de fato, propõe a mudança de nome do bairro – moradores do local “se questionam se o nome é adequado e se faz sentido para quem vive na região”.

Até a noite desta quarta-feira, a petição conta com 89 assinaturas, número baixo quando comparado com os quase 20 mil moradores do bairro e distante do objetivo de 8 mil assinaturas proposto pelo documento.

Além disso, um evento é anunciado para este sábado, na praça Comendador Souza Gomes, em frente à Igreja Nossa Senhora das Graças. “Vamos falar sobre essa mudança no nome do bairro”, proclama o site, prometendo a esperada explicação.

Um evento no Facebook também foi criado para divulgar o encontro. Lá, dezenas de usuários, que se dizem moradores do bairro, utilizam a seção de comentários dos posts para expressar sua insatisfação com a proposta.

O Metro Jornal procurou os responsáveis pela iniciativa. Porém, as fontes encontradas negaram qualquer envolvimento com a misteriosa iniciativa. Portanto, até a manhã deste sábado, o suspense continua: afinal, seria este o fim da Tristeza?

Origem do triste nome

Assim como a maioria dos bairros da zona sul de Porto Alegre, o Tristeza teve origem em uma área rural e bastante tranquila. O nome é uma homenagem a José da Silva Guimarães, um dos primeiros moradores da região.

Dizem que José, que era dono de uma chácara, carregava consigo um semblente triste – tanto que seu apelido era, justamente, Tristeza. No fim, o apelido do seu José acabou denominando o bairro. Graças a ele, os moradores podem repetir indefinidamente aquela velha piada: “Eu moro na Tristeza”.

 

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