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Após impeachment, políticos ainda têm contas a acertar sobre corrupção

O fato jurídico do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, na semana passada, nada tem a ver com a Lava Jato, mas a operação foi lembrada nos discursos de vários senadores que defenderam a queda da petista.

As revelações do escândalo de corrupção na Petrobras ao longo dos últimos dois anos e meio não só contribuíram para o desgaste de Dilma como já atrapalharam o presidente Michel Temer, que teve que trocar três ministros de sua equipe devido a impactos da Lava Jato.

As apurações, em tese, devem se estender muito além da mudança no Planalto. Tanto membros da base do governo quanto os agora opositores, do PT, acumularam contra si indícios que tramitam no STF (Supremo Tribunal Federal) na forma de 81 inquéritos com 364 investigados. Destes, 45 já foram acusados em uma das 14 denúncias feitas pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

O STF, que só abriu três processos até o momento – dois contra o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) – deve atrair as atenções nos próximos meses.

O juiz Sérgio Moro, que conduz os processos contra pessoas sem direito a foro privilegiado, já declarou mais de uma vez que estima encerrar a participação dele na Lava Jato em dezembro. Isso significa concluir os 24 processos ainda em andamento – Moro já deu sentenças em outras 21 ações –, além dos que estão por vir.

O ex-presidente Lula, por exemplo, já é alvo de vários inquéritos nas mãos de Moro, que ainda pode assumir o caso de investigados que perderam o foro privilegiado, entre eles ex-ministros de Dilma e a própria ex-presidente.

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As feridas que os delatores ainda vão abrir

Além do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mais de 20 parlamentares já foram denunciados ao STF no âmbito da Lava Jato.

Quase todos, à exceção do senador Fernando Collor (PTB-AL), são do trio PT, PMDB e PP, que comandava, segundo as investigações, o esquema de corrupção da Petrobras. Mas outros partidos correm riscos, tanto pelos inquéritos abertos como pelas evidências que ainda estão por vir.

Delações

Muito se espera da colaboração premiada de Marcelo Odebrecht e outros executivos da empreiteira.

Se for abrangente, a delação do grupo pode comprometer dezenas de políticos e revelas propinas em variadas obras nas esferas federal, estadual e municipal.

A investigação já confirmou a existência de um “setor de propinas” da Odebrecht, que atendia demandas de todas as empresas da holding, e apreendeu documentos como a planilha que lista doações – não se sabe se ilegais ou não – para  mais de 300 políticos.

Outras delações, como a dos executivos da Andrade Gutierrez, ainda não foram reveladas integralmente e devem conter novidades. Já os fatos revelados pela OAS podem não chegar à Justiça, já que a colaboração do grupo foi suspensa pela PGR no mês passado, sem sinais de retomada das negociações.

Os filhotes

O legado da Lava Jato não pode ser medido apenas pelos resultados de Moro e do STF. Até o momento a PF ou a própria Justiça, diretamente, já geraram 12 operações derivadas de delações ou documentos levantados na Lava Jato. O número deve aumentar.

São os chamados “filhotes” da operação, que deixou um rastro de descobertas em negócios públicos muito além do escopo original da Petrobras.  

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