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Candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro, Freixo pretende taxar o Uber

Captura de Tela 2016-09-04 às 21.06.38selo-eleicoes-2016 eleicaoCom muitas críticas ao atual governo, o candidato a prefeito e deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) fala ao Metro Jornal sobre suas propostas, como implantar Tarifa Zero em linhas de ônibus de áreas carentes, e afirma estar mais maduro e melhor preparado do que quatro anos atrás.

Por que quer ser prefeito?

Esse não é um desejo só meu, é uma construção coletiva que vem acontecendo faz tempo. Fui candidato em 2012, tive 28% dos votos, e lá apresentamos um programa de cidade. Depois, há um ano e meio que a gente faz um programa que debate cada bairro com as pessoas. O que oferecemos hoje foi amplamente debatido.

Qual é a diferença entre o Freixo de agora e o de 2012? 

Estou mais maduro e muito melhor preparado. Me preparei mais para uma governança do que eu estava há quatro anos. Construí um programa muito mais viável, com ajuda de especialistas, e entrei muito mais nas zonas norte e oeste, entendendo mais a complexidade do Rio de Janeiro.

Como se diferenciar dos outros 10 candidatos? 

Ninguém se diferencia pelo que diz que vai fazer, mas sim pelo que já fez. Para isso, serve a história. Cada um tem a sua, com quem se organiza e faz alianças, o que já fez no governo ou no legislativo, o que faz da vida. Uma maneira de conhecer um candidato, além de ler o programa de governo, é analisar se o que ele está dizendo que vai fazer tem coerência com o que já fez na vida.

E como se apresenta ao eleitor em relação ao momento político que vivemos?

Sem dúvida, temos um dos melhores programas para a cidade. Na saúde, podemos montar um secretariado muito mais competente, porque não fizemos alianças em troca de cargos. Podemos chamar os melhores profissionais da Fiocruz, da UFRJ, que vão gerar um programa muito mais eficiente. Mesma coisa na educação e na mobilidade, porque nunca fomos financiados por empresários de ônibus. Com independência política e um programa feito por pessoas capacitadas em cada área, nos capacita para ter uma governança muito diferente das que já tiveram no Rio.

O que acha da prefeitura ter assumido dois hospitais do Estado? 

Isso tem relação com a falência que o PMDB promoveu no Governo do Estado, que está anunciando que vai decretar falência até o fim do ano. Essa falência tem nome: PMDB. Em 2007, a dívida era de R$ 40 bilhões. Agora, é de R$ 110 bilhões! Foi a maneira de governar do PMDB que faliu o Estado. O que a prefeitura, do mesmo partido, está tentando fazer é cobrir os rombos feitos pelo Estado. É evidente que saúde é prioridade, um cidadão tem que ter garantia à vida, não importa se é do Estado, município ou da União. Diálogo é fundamental, tem que ter, independentemente de diferenças políticas.

Como vê as finanças da prefeitura? 

Com preocupação. Não é o mesmo quadro do Estado, que está falido. Mas a prefeitura vem arrecadando menos nos últimos três anos e vem sendo pouco criativa. A zona portuária poderia ser o Vale do Silício do Rio, com estímulos para a economia criativa, gerando novos recursos e soluções práticas para crises urbanas, como a de transportes. O Rio tem um potencial de economia criativa muito grande, mas insiste em um modelo de arrecadação via ISS e IPTU, mas o IPTU arrecada cada vez menos e o dinheiro vai todo para pagar as OSs [Organizações Sociais]. Então, o Rio sobrevive quase que somente pelo dinheiro do ISS e acho que pode ser mais criativo para ampliar esse tipo de arrecadação.

Qual seria esse modelo? 

A prefeitura dá isenção de ISS às empresas de ônibus, e isso fez com que ela deixasse de arrecadar R$ 350 milhões. Ao mesmo tempo, o setor de TI paga o dobro de ISS do que o setor paga em São Paulo, o que faz a gente perder uma fonte de geração de emprego.

No seu programa, você fala em Tarifa Zero. Como seria? 

É para algumas linhas específicas. A mobilidade é o direito à cidade. Queremos transformar a Secretaria de Transportes na de Mobilidade Urbana e também criar um fundo de transporte com o dinheiro das multas, que ninguém sabe para onde vai, e usar esse dinheiro para tornar a cidade mais democrática e acessível. Dentro desse projeto, colocar algumas linhas, de lugares mais pobres, em linhas de tarifa zero. Isso seria pago através desse fundo e do dinheiro do ISS que hoje as empresas de ônibus não pagam.

E a polêmica Uber x táxi. Pretende regularizar o app? 

Tem que regularizar. Não dá para qualquer carro virar Uber da noite para o dia. Ele deve ser taxado, porque o preço que cobram é uma concorrência desleal, e estimulado nos locais onde há carência de táxi. Devemos também investir nos taxistas, que pagam várias vistorias por ano, o que atrapalha a qualidade do serviço. Tem que qualificar o trabalho deles, dar assistência e, ao mesmo tempo, fiscalizar. Os táxis lidam com a máfia das diárias, trabalham várias horas só para pagar uma diária insana, e isso é ilegal, mas a prefeitura finge que não é com ela. Tem donos de frota que exploram os taxistas em plena luz do dia, todo mundo sabe e ninguém faz nada. Eu já enfrentei varias máfias. Não tenho problema com isso. Comprei brigas que ninguém queria comprar, enfrentei milícias, tráfico de armas, presidi CPIs que ninguém queria. Então, enfrentar mais uma, menos uma, não vai fazer muita diferença. Também queremos enfrentar essa máfia.

E a Guarda Municipal [GM]? É a favor da guarda armada? 

A sociedade do Rio não precisa de mais armas. Todos os estudos do mundo mostram que se você diminui as armas, mesmo as públicas, diminui a violência e as taxas de homicídio. O que a guarda precisa é recuperar a autoestima, ter um plano de carreira e ser dirigida por um guarda, o que nunca aconteceu. Tem que aproximar a guarda dos bairros, através dos conselhos de moradores. Está comprovado que ruas com mais circulação de pessoas são mais seguras. Para isso, precisa ser bem iluminada, ter cultura, arte, entretenimento, e com praças bem cuidadas. Tudo isso é responsabilidade da prefeitura.

Você tem um projeto de Gabinete Virtual. O que seria?Untitled-5

É um projeto de transparência, uma coisa que os governos do PMDB nunca ouviram falar. É um gabinete virtual com todas as contas e contratos para qualquer cidadão poder acessar. Isso é democracia. Queremos revitalizar as reuniões de bairro para as pessoas discutirem a cidade. Com transparência é mais fácil as pessoas acreditarem na governança e participarem.

Como você vê a participação da prefeitura na Olimpíada?

Um saldo curioso. Na hora de falar de saúde, diz que não tem recurso; na hora de falar de educação, diz que é melhor chamar fundações; na hora de falar de transporte, deixa tudo na mão dos empresários de ônibus. Mas, na hora de fazer Olimpíada, fala para deixar com ela, que sabe fazer. O maior legado é que falta vergonha na cara para fazer a mesma coisa nas áreas essenciais e gastando talvez tanto quanto.

Você é professor. Que projetos propõe para a Educação? 

Os professores precisam de autonomia e tempo de planejamento, que é de 1/3, e isso tem que ser cumprido. Queremos aproximar a escola das atividades de cultura e transformá-la em um local de maior participação dos professores. Hoje, só tem professor e diretor, não tem mais porteiro, inspetor… Não adianta uma Escola do Amanhã se a de hoje, muito sucateada, não está funcionando.

A reciclagem de lixo no Rio é mínima. Quais planos você tem para a questão? 

Estimular as cooperativas de catadores, porque isso faz acontecer uma coleta de maior qualidade e gera empregos, desde o gari comunitário ao biodigestor, que pode transformar lixo em energia, de repente para as favelas. E também fazer uma coleta seletiva por bairros,  descentralizando, porque cada lugar produz lixo de uma maneira diferente.

 

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