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Candidato à Prefeitura de São Paulo, Doria quer ampliar vagas em creches

Captura de Tela 2016-09-04 às 19.36.23selo-eleicoes-2016 eleicaoEstreante em campanhas eleitorais, o empresário João Doria tem a candidatura com a coligação que reúne o maior número de partidos nessa eleição e é apoiado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). Em entrevista concedida na sede do Metro Jornal, o candidato – que ocupa o 3º lugar na corrida eleitoral (empatado com dois concorrentes) com 9% das intenções de voto no Ibope e 5% no Datafolha – defendeu ampliar a oferta de serviços públicos, como creches e hospitais, por meio de convênios, e fazer concessões de serviços a empresas privadas, para melhorar o atendimento e desonerar a prefeitura.

O senhor ocupou cargos nos governos municipal e federal no anos 1980, depois se afastou e só agora decidiu disputar eleições. Por quê?

É uma opção. Eu vivi a experiência pública com o prefeito Mario Covas, fui secretário dele, presidente da Paulistur e na sequência fui presidente da Embratur. Depois decidi voltar ao setor privado. Mas sempre gostei de política.

Seu êxito nas prévias do PSDB ocorreu sem apoio de cardeais, como FHC e José Serra, e provocou a saída de Andrea Matarazzo. Sua vitória dividiu o partido?

Não, de jeito nenhum. A vitória foi democrática. Não houve divisão, houve vitoriosos e não vitoriosos. Infelizmente, Matarazzo entendeu que sua derrota deveria ser seguida de um abandono ao partido. Eu lamento muito, respeito a trajetória do Andrea, acho que não devia ter saído do PSDB, mas, enfim, foi uma decisão que ele tomou.

Qual será sua primeira decisão em eventual governo?

Será decretar a volta das velocidades anteriores nas marginais Tietê e Pinheiros, 70 km/h e 90 km/h. Vai ser o primeiro ato a ser publicado no Diário Oficial. Chega de São Paulo devagar, quase parando. De maneira geral, não vamos mexer nas demais ruas e avenidas. Nas marginais, não tenho menor dúvida, será o ato número um.

Mas, nas marginais, a redução da velocidade, segundo a prefeitura, provocou diminuição de 37,5% dos acidentes com vítimas.

Esse estudo não é completo, porque não coloca com clareza a redução do número de veículos nas marginais. Houve uma redução e estima-se que tenha sido de 22%, fruto da recessão econômica. O que fundamentou a prefeitura a criar foi essa “indústria da multa”, como a própria população qualificou. Em 2015 já houve uma queda acentuada da arrecadação do município por força da recessão econômica, provocada pelo governo do PT da Dilma Rousseff. Aí, em vez de criar taxas, criaram a indústria da multa. É um excesso de multa, um absurdo.  Pretendo acabar com  o abuso da multa, sim.

O que você entende como abuso e como correto numa fiscalização?

Primeiro, você precisa ter campanhas educativas, o que não teve. Seria crível que alguém que tivesse uma boa intenção de reduzir acidentes usasse os meios de comunicação para tentar reduzir acidentes, e isso não houve. Nós não vamos eliminar todos os radares nem eliminar o direito do poder público de punir quem desrespeitam a lei. Mas há abuso.

O senhor é o candidato mais próximo do governador Alckmin. Quais investimentos acredita que o Estado pode fazer na cidade?

Muitos. O governador sempre teve disposição de apoiar os municípios de forma geral, independentemente da posição partidária.

Voltando para a mobilidade. A atual gestão espalhou a malha cicloviária por toda a cidade. O senhor concorda com a distribuição? Irá rever ou ampliar essa política?

Sou a favor das ciclovias e das ciclofaixas. O que eu sou contra é o custo das ciclovias e os excessos que foram cometidos. O fato é que já tendo investimento público, ele tem que ser preservado. E onde são de fato utilizadas, elas serão preservadas e mantidas. Onde não houve uso, nós vamos reavaliar.

O senhor tem dito que irá conceder serviços para a iniciativa privada. Qual será a vantagem para a administração e para o público?

Para o público é que ele vai ter serviços melhores, a menor custo ou custo zero. Então o grande beneficiário será a população. Exemplo: o autódromo de Interlagos tem que ser da iniciativa privada. Custa muito dinheiro à prefeitura. Não faz sentido. Isso é setor privado. Vamos vender o autódromo de Interlagos, buscar um recurso que estima-se de R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões que vão para as atividades sociais, saúde e educação.

O mesmo com o Pacaembu?

O mesmo vale para o Pacaembu. Será uma concessão, ele não será vendido. Será uma concessão para o setor privado.

Como funcionaria a administração dos corredores de ônibus pela iniciativa privada? O que mudaria na vida do passageiro?

Primeiro, não haverá nenhum custo para o usuário. Precisamos melhorar a utilização da faixa exclusiva de ônibus. Viemos observando que o tempo entre as composições de ônibus que usam as faixas exclusivas é muito grande. Se você tem essa faixa, o ideal é que a distância seja menor. Como você controla isso? Com tecnologia, o GPS. Você sabe se aconteceu algo no caminho que está dificultando o tráfego. E o resultado será mostrado em um aplicativo. Quando você acessar seu celular, ele abre com uma publicidade de 15 a 20 segundos, como qualquer outro aplicativo. Essa é a remuneração de quem vai explorar essa operação.

Então vai depender de as pessoas baixarem um app para se rentabilizar?

Claro. Cada vez que você acessar, você terá uma informação. Essa remuneração virá dos acessos ao aplicativo dos 5 milhões de pessoas que potencialmente poderiam utilizar a via.

O sr. disse que vê a saúde como o pior problema de São Paulo. O que acha que deve ser feito pela saúde que não é feito hoje e o que você pretende fazer?

Primeiro, temos que colocar médicos em todos as unidades de saúde. Há uma falta de especialistas nas unidades médicas. Quanto mais distante for a UBS ou AMA, menos condição ela terá de ter um especialista. Tem que criar uma remuneração adequada para que ele possa atuar naquela área.Untitled-3

Uma remuneração maior para as áreas periféricas.

Sim, tem que ter uma vantagem para atuar lá. Outra coisa é utilizar as OSs (Organizações Sociais). São organizações como Sírio Libanês, Einstein, Samaritano, Oswaldo Cruz que já administram hospitais públicos, isso é ótimo. O Einstein administra o hospital de Paraisópolis e é um hospital de excelência, de referência. É público, não custa nada, mas quem administra é o Einstein. Vamos ampliar esses acordos.

O que fazer para zerar o deficit de creche (111 mil vagas)? E se zerar é possível?

Talvez zerar a curto prazo não, mas reduzir sensivelmente é possível. Primeiro, não construindo creches. É um erro. Custa muito e leva muito tempo. Você deve ter creches conveniadas, essa é a alternativa melhor, mais rápida, mais eficiente e 100% com OSs. Aí você faz com universidades, igrejas, entidades do terceiro setor. Mas você tem que ter uma agência regulatória que possa acompanhar o grau de eficiência.

Os crimes contra a vida estão queda em São Paulo, mas o roubo e o furto ainda crescem. O que a prefeitura pode fazer para melhorar a segurança?

Ela não pode se furtar. Com GCM você já tem um efetivo policial que pode proteger as pessoas. Hoje, legalmente, ela é amparada para proteger. Integrar a GCM com a PM é fundamental. Tem que ter um sistema de rádio comunicação integrado.

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