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Candidato à Prefeitura de BH, Malheiros quer investir em educação

Captura de Tela 2016-09-04 às 21.21.30selo-eleicoes-2016 eleicaoNatural de Itamarandiba, no Vale do Jequitinhonha, o atual vice-prefeito de Belo Horizonte, Délio Malheiros (PSD) vive em Belo Horizonte desde os 15 anos e tenta pela primeira vez  assumir a Prefeitura de Belo Horizonte. Advogado especialista em direito do consumidor e ex-vereador e deputado estadual por dois mandatos, ele é a aposta do prefeito Marcio Lacerda (PSB), que abriu mão de lançar um candidato próprio, no caso Paulo Brant, para apoiar e apostar em Délio Malheiros para que os projetos da atual gestão sejam ampliados e continuados.

Por que o senhor decidiu se candidatar à PBH?

Tenho uma história em Belo Horizonte, cheguei aqui aos 16 anos, aqui estudei, trabalhei, construí a minha família, exerci minha profissão de advogado por 25 anos. Quero retribuir um pouco do meu conhecimento, da minha história, do meu trabalho para essa cidade que me acolheu. E quero, portanto, dar continuidade a gestão que entendo ser uma gestão honesta, eficiente, e comprometida com os interesses maiores da população.

O senhor é especialista em direito do consumidor. Pretende fortalecer esse setor em prol da população?

Pretendo fortalecer. Fortalecer todo aquele trabalho que a prefeitura já faz e que beneficia diretamente à população, especialmente na área da saúde, da educação, da mobilidade e das políticas sociais.

Com a desistência do PSB pelo Paulo Brant, o senhor ganhou Marcio Lacerda como padrinho. Esse apoio já era certo ou foi a saída do Brant que consolidou isso?

Quando entrei na Prefeitura de Belo Horizonte como vice-prefeito, deixei três coisas bem claras para o prefeito Marcio Lacerda: o meu compromisso com a cidade como vice-prefeito seria colaborativo com o Marcio. Em segundo lugar, disse para ele que queria disputar a eleição, então, já sabia que era um pré-candidato na eleição em 2016. Terceiro lugar, lutar para ter o seu apoio e conquistar ele porque a sua gestão, nesses quatro anos passados, de 2008 a 2012, para mim, foi uma gestão exemplar. Quero participar desse projeto e dar continuidade.

O senhor questionou ao candidato Reginaldo Lopes sobre as PPPs (Parceria público-privadas) da prefeitura. Na entrevista ao Metro Jornal, o petista criticou a atual gestão delas. O que ele disse agradou ao
senhor ou não? 

É uma questão ideológica dele, que mantém uma sintonia afinada com o partido dele. Prefiro manter minhas convicções de que as PPPs hoje representam um instrumento moderno de gestão. Elas são muito eficientes e trazem para seio da administração pública a experiência da iniciativa privada. E, até agora, tivemos êxitos em todas as PPPs que temos em andamento. E vamos avançar ainda mais com PPPs. Temos uma PPP de valor muito grande que é a iluminação pública e que vamos substituir pela tecnologia LED. Temos a intenção de fazer PPP, também, na construção do novo Centro Administrativo de Belo Horizonte. Temos contratos assinados de PPP para 77 novos centros de saúde. Tivemos PPP no Hospital do Barreiro e queremos fazer PPP em outras áreas da prefeitura, porque é um instrumento moderno e eficiente.

Caso fosse o atual prefeito, o que faria diferente de Marcio Lacerda? 

No ponto de vista da gestão, teria muito pouco a acrescentar. Daria sequência ao seu trabalho de melhorar ainda mais a educação, ampliando as vagas da educação, o atendimento na saúde, mas acho que faria diferente e investiria mais, talvez, em convencer as pessoas de que a cidade pertence à elas. Convencer as pessoas de que dengue não é só um problema da prefeitura, é um problema que as pessoas devem colaborar na prevenção.  Convencer as pessoas que os parques pertencem à elas, e que elas devem ter mais o senso de ocupar os espaços públicos, talvez seria um diálogo de convencimento das pessoas que acrescentaria.

O senhor pretende expandir o Move na cidade?

Sim. Temos um contrato que foi novamente chancelado pela Caixa Econômica Federal para a construção do Move, na Avenida Amazonas. Temos a Via 710, chamado “corta-caminho”, que será terminada até o fim deste ano. Ela interliga a Cristiano Machado com a Avenida dos Andradas, interligando as regiões Noroeste, além da região Leste e Nordeste. E temos outros projetos também como o Boulevard Arrudas. Estamos construindo um novo viaduto no Complexo da Lagoinha para melhorar a conexão do Move da Avenida Cristiano Machado com a Avenida Pedro II e a Antônio Carlos. Portanto, é muito importante a mobilidade urbana e seguir investindo pesado no transporte público.

Uma das maiores preocupações da população hoje é a deficiência na gestão atual na área da saúde. Que projeto poderia melhorar a qualidade da saúde em Belo Horizonte?

Vamos investir muito na saúde e iremos construir 77 novos centros de saúde. Serão 22 novos e 55 serão substituídos. Já temos uma PPP assinada, com 40 terrenos já previamente analisados e aprovados para essa finalidade. Vamos continuar cobrando do governo federal e do Estado, que repasse os recursos previstos na Constituição para o grande Hospital do Barreiro, que foi o último construído em BH nos últimos 70 anos. Hospital 100% SUS. Vamos construir duas UPAs e são obras que darão uma estrutura melhor à área da saúde. Vamos trabalhar até com a tecnologia na área da saúde para evitar o absenteísmo nas consultas especializadas. Vamos trabalhar no sentido de que aqueles contribuintes, que têm dívidas antigas, possam restabelecer a condição de contribuintes ativos. Hoje, temos R$ 4 bilhões a receber. Com isso, a gente desafoga o caixa, faz a fila andar mais rápida em todas as área da prefeitura. Este será um diferencial nosso, essa parceria da prefeitura com o cidadão e com empresas para colocar em dia a vida tributária da cidade.

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O senhor acredita que hoje existe uma ‘má vontade’ do governo federal com Belo Horizonte, especificamente em relação a verbas ou, realmente, há falta de dinheiro mesmo?

Sempre houve uma má vontade do governo federal com Belo Horizonte, e o principal problema é o metrô, em que fizemos um projeto. A Dilma (Rousseff) veio aqui e se comprometeu em liberar os recursos e não liberou esses recursos. Na área da saúde, no ano passado, tínhamos uma dívida do governo federal com Belo Horizonte em mais de R$ 20 milhões. Temos dívidas do governo federal em relação às nossas Umeis (Unidades Municipais de Educação Infantil), porque em cada uma delas a prefeitura entra com R$ 1, 7 milhão. O governo federal em torno de R$ 1,3 milhão, mas sempre estiveram inadimplentes com a gente. No caso do Hospital do Barreiro, a mesma coisa. Nos nossos leitos do SUS, temos 1.700 contratados em que a União tem que repassar recursos, mas ela vem atrasando e a prefeitura tem que tirar dinheiro do seu caixa para pagar. E com tudo isso, com todas as dificuldades, estamos com os nossos pagamentos em dia nas obras e com 50% do 13º salário já antecipados para os servidores municipais. Evidentemente que isso impacta nas finanças municipais. Vamos continuar cobrando do governo federal. Entendo que é um pouco de “má vontade” e também um pouco de dificuldade do governo federal. Se Belo Horizonte não fosse organizada, não tivesse uma gestão eficiente, estaríamos numa situação muito complicada. Como o prefeito Marcio Lacerda cuida diuturnamente, como muito cuidado, da gestão financeira da prefeitura, estamos conseguindo ultrapassar.

O metrô de Belo Horizonte não cresce e não dá sinais de evolução há algum tempo. Falta força política para brigar por recursos? 

O metrô é um transporte público de massa, eficiente, e que não temos recursos para construir, até porque 1 km de linha custa mais de R$ 300 milhões. Vamos permanentemente cobrar do governo federal que cumpra o seu compromisso com Belo Horizonte. A nossa parte fizemos. Elaboramos um projeto executivo de reforma da Linha 1, construção da Linha 2 do Barreiro até a Gameleira e da Linha 3, Savassi até a Lagoinha. Se eleito, vamos continuar cobrando, não vou dar sossego 1 minuto sequer ao governo federal em relação ao metrô.

O senhor acha que Belo Horizonte perdeu força política e internacional? 

Cabe a nós resgatar a força política que Minas Gerais sempre teve na história e que na atualidade. Infelizmente, estamos numa situação de Estado de segunda categoria no que diz respeito à partilha das obras e das verbas federais. Enquanto em Salvador avançou o metrô, em Belo Horizonte estamos aguardando que o governo federal cumpra seu compromisso com a cidade.

As Umeis (Unidades Municipais de Educação Infantil) foram um grande avanço para a cidade. O senhor vai dar continuidade nesse projeto, se for eleito?

Esse projeto das Umeis é totalmente elogiado por todos os outros candidatos. Construímos 88 Umeis na gestão de Marcio Lacerda. Enquanto estou lá, agora, estamos inaugurando a Umei de número 128. Elas atendem 35 mil crianças com a qualidade, de 0 a 6 anos, com a qualidade superior as melhores escolas infantis (particulares) de Belo Horizonte. É um projeto exitoso. Estamos construindo um cidadão diferenciado. Além disso, eles têm uma alimentação de altíssima qualidade, um ensino pedagógico reconhecido nacional e internacionalmente. Vamos continuar com as Umeis,
vamos continuar com o ensino fundamental de alta qualidade. Precisamos universalizar a educação em Belo Horizonte.

Qual é a sua ideia para melhorar o turismo de negócios na cidade?

Nunca nessa cidade se viu tanto evento ocorrer em tão curto espaço de tempo. O Carnaval em Belo Horizonte, neste ano, trouxe 2 milhões de foliões. A Virada Cultural,  com mais de 1 milhão e meio de pessoas nas ruas. E agora, com o título de Patrimônio Cultural da Humanidade da Pampulha, queremos transformar Belo Horizonte em um verdadeiro polo de turismo. Não seremos mais a cidade de passagem. Seremos um ponto turístico importante. Temos uma rede hoteleira com 127 hotéis em 35 mil leitos que vai acomodar confortavelmente esses turistas. Vamos começar logo a construção do novo centro de convenções. Já surgiu um parceiro privado que vai investir na Avenida Cristiano Machado. São mais de 30 mil metros de área a será construído ali.

Como dar mais segurança para a população e  contar o avanço dos roubos e
furtos na cidade?

Estamos investindo muito na educação. É possível fazermos. Estamos ampliando o número de câmeras do Olho Vivo de 1.400 para 3.000 câmeras de monitoriamento. Esse sistema vai interligar o setor privado do nosso Cop (Centro de Operações de Belo Horizonte). É o cérebro da cidade. Temos 95 posições, espaços de monitoriamento da cidade e temos mais de 40 ocupados, que vigia quase toda a cidade. Na nossa Guarda Municipal hoje, são 2.090 homens, 598 já estão treinados para usar a arma de fogo, devidamente capacitados, e 350 já estão armados nas ruas. Queremos ampliar essa qualificação para todos os nossos guardas. E o mais importante, estamos iluminando a nossa cidade. Assinamos a PPP para a substituição dos 178 mil pontos de iluminação pública pela tecnologia LED, isso será feito nos próximos quatro, cinco anos. Vamos também continuar as nossas parcerias com a Polícia Militar. Já temos Guarda Municipal em todas as escolas e centros de saúde. Ampliamos a vigilância em todas as estações do Move e os índices de depredação e violência caíram. 

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