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Reajustes salariais perdem para inflação no semestre

Expectativa é que 2016 seja um dos piores anos para a negociação de salários | Camila Domingues/Palácio Piratini

Os reajustes salariais no país ficaram, em média, 0,5% abaixo da inflação no primeiro semestre do ano. Das 304 negociações feitas no período, apenas 24% resultaram em aumentos reais de salários, de acordo com balanço divulgado nesta quinta-feira (1) pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconomicos).

Outros 37% tiveram aumento com valor igual à inflação e 39% obtiveram reajuste abaixo da variação do INPC. Desses, 11% resultaram em perdas de até 0,5% e 29% em quedas de até 2%.

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Foi o pior resultado de um primeiro semestre desde 2003. “De 2004 para cá, na média, não havia ocorrido perda, mesmo durante a crise de 2009. Isso começou a acontecer a partir do segundo semestre de 2015 e se aprofunda em 2016”, afirmou o coordenador de relações sindicais do Dieese, José Silvestre.

Na sua avaliação, 2016 será um dos piores anos para negociações de reajustes salariais. Mesmo com grandes categorias, como petroleiros, metalúrgicos e bancários, negociando no segundo semestre e a inflação em patamares menores, o atual cenário não deve ser revertido.

Silvestre cita o caso dos bancários, que receberam proposta dos bancos de reajuste de 6,5% com R$ 3.000 de abono, o que representa perda real de 2,8%. “O setor financeiro, que tem as maiores margens, está com essa dificuldade. A partir disso, dá para imaginar como serão as negociações”, afirma.

Os dados do primeiro semestre mostram ainda que cerca de 74% dos reajustes salariais analisados foram pagos de forma integral; e 25%, pagos em duas ou mais parcelas. Os percentuais são próximos dos observados no segundo semestre de 2015.

arte economia

 

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