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Candidato à prefeitura, Aidan Ravin promete gestão mais popular em Santo André

selo-eleicoes-2016 eleicaoCom o peso de já ter comandado a cidade (de 2009 a 2012) e ter sido o primeiro prefeito a não conseguir se reeleger, Aidan Ravin volta ao cenário eleitoral de Santo André. Agora pelo PSB (antes era do PTB), ele se diz mais preparado para exercer o cargo novamente. Em entrevista ao Metro Jornal, faz críticas ao atual governo, nega acusações de corrupção no Semasa sob seu comando e promete um novo mandato com maior participação popular.

Qual é a bandeira da sua campanha?
O foco maior das queixas na cidade é em relação à saúde. Não tem remédio no posto, demora para fazer a consulta com um clínico geral, para fazer um exame de sangue ou hemograma é três, quatro meses, não tem copo descartável, não tem pote para fazer exame de urina. Está calamitoso. Então, nossa bandeira maior é a saúde. Construímos três UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), construímos um pronto-socorro em Paranapiacaba, fizemos o AME (Ambulatório Médico de Especialisdades) do Estado, pegamos o Hospital da Mulher com duas especialidades só e montamos o hospital inteiro, que ganhou como o terceiro melhor do Estado de São Paulo. Nosso AME é o segundo maior em tamanho e o primeiro em especialidades em todo o Estado. Dobramos o atendimento no PID (Programa de Internação Domiciliar), colocamos remédio em toda a rede. Inclusive, temos 720 mil habitantes e 1,3 milhão de pessoas que passam (pelo SUS) em Santo André. É quase o dobro da população. Vamos fazer um cartão andreense, pelo qual o munícipe terá prioridade no atendimento. O SUS vai ser obrigado a atender todo mundo, mas na emergência. Quando você passa para fazer o atendimento especializado, poderá dar qualidade e vantagens para o cidadão andreense.

Você foi o primeiro prefeito da cidade que não conseguiu se reeleger. A que atribuiu isso?
Na verdade foram vários fatores. Um deles, que ninguém pode negar, é que houve uma invasão enorme de dinheiro de fora. Fizeram uma campanha milionária, que hoje não vão poder fazer mais. Hoje estamos abençoados com uma campanha mais simples, objetiva, de quem realmente gosta de você ou não. Então, isso a gente já conseguiu cortar. Tive problema com o próprio secretariado. Teve um secretário meu (Nilson Bonome) que me ajudava muito, mas virou oposição e saiu candidato a prefeito. Então, dividiu o governo e a gente acabou tendo problema, porque ele levou cinco partidos que estavam no meu arco de alianças. Outra coisa foi a própria comunicação. Como médico, nunca precisei fazer propaganda, mas como prefeito o pessoal quer ver a gente na rua, quer que a gente participe mais. Fiz muito trabalho de gabinete e colocava os assessores para fazer (campanha). Quando o assessor fazia, parabéns para o assessor. Quando ele não conseguia fazer, a culpa era do prefeito.  Agora a gente tem uma nova postura, vamos estar mais próximos da população, agindo mais rápido e fazendo o que pode ser feito.

No seu governo, algumas obras foram iniciadas e não concluídas, como a reforma do estádio Bruno Daniel, do teatro Carlos Gomes e a construção do Hospital da Vila Luzita. Acredita que isso colaborou para não ser reeleito?
Na verdade, o Bruno Daniel a gente teve que tirar aquela parte (cobertura) de concreto, que existia há 40 anos. Tinha um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) de 12 anos que foi segurado pelo Ministério Público. Quando entrei, fui obrigado a tirar (a cobertura) e fui buscar verba para fazer. Quando consegui o dinheiro, já era no último ano, e foi a verba que fizeram a reforma. O Carlos Gomes nós começamos a obra, deixei R$ 2,4 milhões no balanço de 2012 para terminar a reforma do primeiro estágio e não fizeram nada. Isso será questionado no Ministério Público, já questionei, inclusive. Vamos fazer uma auditoria para saber onde foi gasto tudo isso. O Hospital da Vila Luzita, na verdade, todo mundo fala que é hospital, mas é uma mentira. Lá é pequeno e iria ser construído um pronto-socorro, para na parte de trás, como já falei anteriormente, construir o hospital mesmo. Já era hospital infantil, então, já tem estrutura de hospital. A gente iria adaptar para ter mais leitos, o que chamamos de hospital de retaguarda. Por exemplo, uma pneumonia não precisaria ser tratada aqui (no CHM), poderia internar lá (na Vila Luzita), principalmente aqueles que moram lá. Seriam internados na região de casa para ficar muito mais perto da família, e você desocupa o hospital central para realmente emergência e urgência. Isso a gente vai conseguir. Mas eu falo: não consegui fazer a obra no Carlos Gomes, eles passaram quatro anos, deixei R$ 2,4 milhões, e não fizeram nada. No governo anterior (seu primeiro mandato), transformaram aquilo (Carlos Gomes) em um estacionamento. No Bruno Daniel, foi feita reforma de R$ 16 milhões, que é uma reforma de estádio de quinta categoria. O hospital da Vila Luzita estava pronto para terminar, e deixaram lá, não fizeram nada em quatro anos.

O senhor acha que a comparação da sua gestão com a atual  será o diferencial desta eleição?
Quem está comparando gestões é o próprio povo. Não é o Aidan que está pedindo para comparar, a população está fazendo isso. Acho que as pessoas enxergam que perderam. Por exemplo, uniforme escolar nunca tinha sido distribuído na cidade, foi na minha gestão que teve pela primeira vez, logo no primeiro ano (de governo). Quando você perde, você sente. Enquanto você tem, acha que é obrigação. Quando não tem, começa a enxergar. Como tem uma crise muito grande em toda a cidade, isso acaba sendo mais crucial agora.

O que acha que pode fazer diferente de seu mandato anterior?
Já comecei a fazer. Quatro meses antes da campanha lançamos a “Agenda 40”, que é da Fundação Mangabeira, do nosso partido, onde discutimos políticas públicas. Conseguimos mais de 5,6 mil ideias para a cidade. É uma forma de fazer interação entre população e governo, de um jeito muito mais próximo das pessoas e fica muito mais fácil da gente fazer as coisas. (Quando era prefeito)  Eu tinha a ideia de que precisava resolver problemas no gabinete, mas o problema se resolve no campo, no local, vendo o que está acontecendo, entendendo de verdade para poder mudar.

A cidade passa por falta d’água mesmo fora da crise hídrica. O que fazer  para resolver isso?
Se existiu o fim da crise hídrica, não era para faltar água. Se está faltando água, há um desequilíbrio aqui dentro, porque água tem. E a água não pode ser cortada por conta da dívida que se tem aqui na cidade com a Sabesp, que vem desde 1997, 1998. Receberam a conta de água em 100% e só pagaram 30% alegando que a conta era alta. Esses 70% que não pagaram tinha que estar depositado em juízo, em uma conta garantida, mas infelizmente não tem isso. Quando entrei na prefeitura, veio a conta que a Sabesp estava cobrando. Se eles receberam e não repassaram, tinha que estar em algum lugar. Se não deixaram, esse dinheiro sumiu. Quando fui cobrado pela Sabesp, imediatamente fui ao Ministério Público denunciar que houve apropriação indébita, pegaram o dinheiro e não pagaram. Daí começou um processo grande para saber o que aconteceu. Automaticamente, o próprio governo que está no comando hoje, que fazia oposição na época, começou a fazer denúncia de corrupção para tentar desviar o foco. Isso gerou uma CPI (Comissão Parlamentar de Investigação) vazia. Também tínhamos dificuldade com água, aumentou muito aqueles prédios sem condomínio, aumentou muito a construção civil na cidade. Mas você tem que se programar, porque a população sempre aumenta. Então, temos que avaliar, pegar o Semasa e ver direitinho que o está acontecendo, revitalizar o sistema. Temos que ver tudo o que está acontecendo para otimizar tudo isso.

Ainda sobre o Semasa, você se tornou réu em processo que a promotoria o acusa de chefiar um esquema de cobrança de propina que pedia dinheiro para liberar licenças no Semasa. Qual a sua defesa nesse caso? Acha que isso vai influenciar negativamente na eleição?
É uma denúncia vazia, sem provas. Ninguém recebeu dinheiro no Semasa, está no processo. Quem tiver dúvida nisso veja o processo, é só entrar no site do TJ (Tribunal de Justiça) e vai estar lá o processo. Não tem como a gente ser prejudicado. Claro que as pessoas confundem,  algumas não leem e passam para frente o que ouvem. Mas a gente não tem nada com isso. A Justiça está andando para provar isso aí, e aqui a Justiça anda lenta demais. Quando a pessoa é honesta, tem que provar que é honesta. Quando não é, vai tocando a vida tranquila e não está nem aí para nada. Na última eleição, me crucificaram três meses seguidos e a gente acabou não tendo sucesso nela. De 82 mil votos que tive na eleição anterior (2008), passei para 135 mil votos (em 2012). Então, houve crescimento grande na minha votação, houve reconhecimento de parte da população, o que não foi suficiente para ganhar a eleição. Mas a gente está caminhando, e em cada lugar que a gente vai, a gente explica. Estamos fazendo folders para mostrar que estamos tranquilos. Tanto que posso disputar a eleição. Já passei por vários crivos e todos foram dando negativo.

Por que se considera mais capacidado que os outros?
Não tinha muita experiência, foi a primeira gestão, e ganhei de forma histórica. Não tinha equipe formada, tive que formar equipe, entender o que era. Mesmo assim consegui aprovar os quatro anos de governo dentro do TCE (Tribunal de Contas do Estado). Isso é coisa que 16 prefeitos conseguiram no Estado. É obrigação, mas poucos conseguem. Me sinto preparado sim, porque fiz e, infelizmente, o PT não conseguiu fazer a lição de casa de manter pelo menos o que a gente já tinha começado. Me sinto triste porque (na escola) tinha inglês, informática, espanhol, educação física, balé, judô, tiraram tudo isso e colocaram música. Acho que é importante também a música, começamos a fazer esse projeto lá atrás, mas tinha que ter mantido tudo isso mais a música. Sou de Santo André, gosto da cidade, andei ela inteira, vou continuar andando, porque a gente precisa mostrar que dá para fazer muita coisa com o que entra. A gente tem arrecadação muito alta e a cidade não pode estar desse jeito, sofrendo tanto assim. Me sinto mais preparado, com mais experiência. Quando entrei, não sabia o que era uma licitação, me deparei com um monte de coisa que não podia fazer e eram obras que já estavam aí, do outro partido. Hoje tenho uma visão maior, entendo mais a cidade. E com essa gestão participativa, colaborativa por parte dos munícipes, vou chamá-los para trabalhar na prefeitura, para acompanhar o projeto que ele teve a ideia. Daí a gente começa a envolver e transformar a cidade em uma família.

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