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45,8 milhões de pessoas no mundo ainda trabalham como escravas

O último país a abolir a escravidão oficialmente foi a Mauritânia, na África, em 1981. No Brasil, ela deveria ter deixado de existir desde 1888. Mas relatório divulgado nesta terça-feira pelo grupo de direitos humanos Walk Free Foundation mostra que a prática ainda atinge 45,8 milhões de pessoas em todo o mundo.

A instituição considera “escravidão moderna” todas as situações de exploração que uma pessoa não é capaz de se livrar, em razão de ameaça, violência, coação ou abuso de poder. Ela pode ser desde trabalho forçado e servidão por dívida a tráfico humano e casamento forçado.

Para chegar ao número, que por se tratar de atividade ilegal não tem notificação oficial, a Walk Free realizou 42 mil entrevistas em 53 idiomas diferentes pelo mundo.

Segundo o levantamento, cinco países concentram 58% dos escravos. São eles Índia (18,35 milhões de pessoas), China (3,39 milhões), Paquistão (2,13 milhões), Bangladesh (1,53 milhão) e Uzbequistão (1,23 milhão).

Proporcionalmente, a Coreia do Norte tem maior população submetida à situação. A estimativa é de que um em cada 20 moradores sejam escravos, ou 4,37% do total.

O estudo ressalta que o número no país ainda é conservador por conta da dificuldade de informações no país. “Há evidência de que existem cidadãos submetidos a trabalhos forçados pelo Estado, incluindo prisioneiros políticos. E relatos dão conta de que indivíduos são forçados a trabalhar por longas horas no campo e nos setores de construção, mineração e vestuário, com punições duras para os que não cumprem determinadas metas”, diz o relatório.

Esta é a terceira edição do estudo. O último, lançado em 2014, indicava 35,8 milhões de escravos no mundo. Pobreza e a falta de oportunidade são apresentados como fatores para aumento da vulnerabilidade à escravidão moderna.

Brasil tem 161,1 mil na condição

O relatório da Walk Free Foundation considera baixo o índice de pessoas submetidas a escravidão no Brasil, mas mostra números que deixam claro que o problema está longe de ser erradicado por aqui.

O levantamento aponta 161,1 mil pessoas presas à situação no país, o equivalente a 0,07% da população.

O índice coloca o Brasil abaixo de países como Portugal, República Tcheca, Itália e até Finlândia, na 151ª posição entre 167 nações.

Quando a comparação é entre números absolutos, o país está no 41o lugar.

O relatório mostra que a exploração no Brasil é concentrada nas áreas rurais, especialmente em regiões de cerrado e na Amazônia. Em 2015, 936 trabalhadores foram resgatados da condição de escravidão no país, em sua maioria homens entre 15 e 39 anos, com baixo nível de escolaridade e que migraram dentro do país em busca de melhores condições de vida.

Dados do Ministério do Trabalho mostram que, em 20 anos, quase 50 mil trabalhadores foram libertados no Brasil por grupos de fiscalização do governo.

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