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Ocupações de escolas paulistas em 2015 são tema de documentário

No segundo semestre de 2015, estudantes de São Paulo ocuparam escolas e foram às ruas lutar contra a reorganização na rede estadual de ensino proposta pelo governo Alckmin. Aquele movimento original ainda ecoa nos atuais protestos de alunos que pedem mais investimento na educação e a abertura de uma CPI para investigar a «máfia da merenda», suposto esquema de fraudes na compra de alimentos destinados à alimentação escolar.

Nos bastidores das ocupações de 2015 estava Carlos Pronzato, cineasta, escritor e teatrólogo argentino radicado no Brasil que retratou a trajetória dos secundaristas paulistas em seu mais recente trabalho, o filme “Acabou a Paz, Isto Aqui Vai Virar o Chile, Escolas Ocupadas em São Paulo», lançado em fevereiro deste ano.

Em sua nova obra, o autor dos documentários “A Partir de Agora – As Jornadas de Junho no Brasil” e “Pinheirinho – Tiraram minha Casa, Tiraram minha Vida” narra suas impressões sobre o processo que levou o governo de São Paulo a suspender a reorganização proposta que, apesar de apresentada como uma melhoria para sistema educacional, gerou insatisfação em um grande grupo de secundaristas. Carlos afirma acreditar que a divulgação das histórias é algo fundamental para manter viva a memória dos movimentos sociais.

Estudante da escola estadual Fernão Dias Paes, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, Thayná Koga, 16 anos, afirma que «A Rebelião dos Pinguins, Estudantes Chilenos contra o Sistema», filme de Pronzato de 2007, foi uma inspiração fundamental para o levante dos jovens no segundo semestre de 2015. Para o próprio cineasta, há semelhanças entre o movimento ocorrido no Chile e o dos estudantes de São Paulo. «Os dois avançaram para enfrentar o governo, mostrando a desintegração provocada pelo sistema que tenta mercantilizar até a educação», afirma.

No filme, Carlos ressaltou a inclusão dos alunos na rotina da escola e o engajamento político dos jovens durante o processo de ocupação. » A autonomia que eles ganharam durante a ação nas escolas e nas ruas é o que vai ter mais presença no futuro. Independentemente de onde eles vão se engajar mais para frente, seja no partido A ou B, esse momento na vida deles foi essencial», afirma o diretor.

Por ser autônomo, Carlos tem a liberdade de lidar com ideias próprias, mas afirmou que tudo é um processo de criação. “Nós fazemos nos filmes um recorte, trabalhamos com um tema específico, mas tudo está ligado a algo muito maior.»

O filme foi lançado no dia anterior à volta às aulas, em 14 de fevereiro deste ano, e está disponível para exibição no Youtube. Confira:

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