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Secretário é investigado pela queda de ciclovia na zona sul do Rio

O Ministério Público do Rio (MPRJ) abriu nesta quinta-feira inquérito civil para investigar se houve improbidade administrativa do secretário municipal de Turismo, Antonio Pedro Figueira de Melo, na contratação do consórcio Concremat para a construção da ciclovia Tim Maia. Um trecho de 50 metros da estrutura, que liga o Leblon a São Conrado pela avenida Niemeyer, na zona sul, desabou no dia 21, matando duas pessoas.

O promotor de Justiça Vinicius Leal Cavalleiro, que determinou a abertura do procedimento, declarou que o parentesco do secretário com o atual presidente do grupo, Mauro Viegas Filho, e o vice, Mauro Viegas Neto – respectivamente tio e primo de Antonio Pedro –, “aparentemente atribui um grau de ilegalidade ainda maior” à contratação.

Também serão investigados o presidente da Fundação Instituto de Geotécnica do Rio (Geo-Rio), Marcio José Mendonça Machado, e os cinco integrantes da comissão que vistoriou a obra da ciclovia.

Os técnicos do MP apontaram, como fator determinante do acidente, a ação de fortes ondas que atingiram as lajes, tendo contribuído significativamente para o resultado: “O partido estrutural de mero apoio das lajes, sem qualquer tipo de ancoragem nos pilares”. Cavalleiro ainda questionou a competência técnica da Geo-Rio, que pertence à Secretaria Municipal de Obras (SMO), para elaborar o projeto básico da ciclovia e realizar a contratação das construtoras, que segundo ele estava “em aparente contradição com as finalidades legais para as quais foi criada”.

O laudo preliminar dos técnicos apontou rachadura do pilar 49, o do meio, que sustentava o trecho da ciclovia desmoronada e desgaste de material do pilar 48. A representação cita falha na concepção do projeto por parte do poder público contratante e/ou na execução do projeto.

Em nota, a Secretaria de Turismo informou que Antonio Pedro está à disposição do MP e “tem total interesse que fique comprovado que ele não tem nem nunca teve qualquer relação com a empresa além do parentesco”. A SMO disse estar à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários.

Ontem, dois engenheiros da Geo-Rio, que assinaram a vistoria das obras, prestaram depoimento na 15ª DP (Gávea). Eles chegaram acompanhados de um advogado e não falaram com a imprensa.

Ressaca do mar engole toda a praia do Arpoador

A frente fria que atinge o Rio levou embora o verão em pleno outono e fez os cariocas tirarem os casacos do armário. Ontem, a cidade teve o dia mais frio do ano: a temperatura mínima registrada foi de 16,6o C, no Alto da Boa Vista, na zona norte; enquanto a máxima não passou de 24,5o C, na Barra, zona oeste, segundo o Alerta Rio.

A mudança do clima veio acompanhada de rajadas de vento e de uma forte ressaca do mar, que no Arpoador, na zona sul, engoliu toda a praia. A água batia no muro e encobria quem passava pelo calçadão. Pela manhã, bombeiros isolaram trechos do local para evitar que pedestres se aproximassem muito da área por “motivos de segurança”.

As ondas, que chegavam a 2,5 metros, castigavam ainda mais o trecho já destruído do calçadão da praia de São Conrado, também na zona sul, danificado pela ressaca do dia 21, quando uma parte da ciclovia Tim Maia desabou.

A ventania também contribuiu para aumentar a sensação de frio. Pela manhã, as rajadas de vento atingiram 83,5 km/h no Forte de Copacabana, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Para hoje, o Alerta Rio prevê temperatura mínima de 15o C e máxima de 24o C.

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