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Após assassinato de universitária, discurso contra machismo domina UnB

Com braços envoltos por faixas rosas, alunos e servidores da Universidade de Brasília homenagearam a estudante de biologia Louise Ribeiro, 20, morta pelo ex-namorado na quinta passada, dentro de um laboratório da instituição. Em ato realizado nesta segunda-feira, a comunidade acadêmica  mostrou indignação diante do crime. “A morte por violência abrange muitos outros sentimentos; raiva e medo são alguns deles”, desabafou Bruna Lisbôa, colega de Louise.

A homenagem foi marcada por discursos contra o machismo, a misoginia e o feminicídio. “Esse não é o caso de um homem doente, é o retrato de uma sociedade doente”, disse a representante do DCE (Diretório Central dos Estudantes), Sophia Luduvice.

Durante a manhã, os amigos e a família da jovem também se reuniram em frente ao Instituto de Biologia para prestar homenagens.

 

Prevenção
Para a maioria das pessoas que falaram no ato, a morte da estudante de biologia por dizer não ao ex-namorado não é um caso isolado, mas o alerta de que as mulheres são vítimas de violência por não poderem executar o direito de ser livre – o que caracteriza o crime de feminicídio.

Completando um ano neste mês, a lei que tipificou esse crime como um homicídio qualificado é considerada uma conquista da luta pelos direitos da mulher.

Para a gerente de Programas da ONU Mulheres Brasil, Joana Chagas, as políticas públicas são essenciais, mas não suficientes – é necessário conscientizar a sociedade nas escolas e na família.

A violência contra a mulher mata 5,6 mil brasileiras por ano, segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

No DF foram registrados cinco casos de feminicídio no ano passado, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública do DF. E apenas em janeiro e fevereiro de 2016 foram registrados 2,2 mil ocorrências ligadas à Lei Maria da Penha.

 

Sepultamento
A recepcionista Jane Carla Fernandes foi sepultada nesta segunda, no Cemitério de Taguatinga, em clima de grande tristeza. A jovem, que faria 21 anos hoje, foi morta a tiros pelo ex-noivo dentro do banheiro de casa no último sábado, em Samambaia. Jonatha Pereira, o autor do homicídio, se matou em seguida, com a mesma arma, na frente de um primo adolescente de Jane.

Os dois tiveram um relacionamento de seis anos, marcado pelo ciúme de Jonatha, segundo parentes da vítima. O noivado havia acabado após o carnaval deste ano, mas o rapaz não se conformava e pedia para voltar. Ainda segundo parentes, ele a ameaçava, dizendo que a família dela “ia chorar”.

Jane chegou a registrar um boletim de ocorrência contra o ex-noivo, o que não impediu que a ameaça dele fosse cumprida.

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