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Gerdau é suspeita de tentar anular R$ 1,5 bilhão em multas

A PF (Polícia Federal) deflagrou nesta quinta-feira pela manhã a sexta fase da Operação Zelotes, que apura o funcionamento de um esquema bilionário de cancelamento da cobrança de tributos devidos por grandes empresas no país. O alvo foi uma das maiores companhias do país, o Grupo Gerdau, líder no ramo de siderurgia, em especial a indústria de aços longos. A suspeita é que a empresa tenha tentado obter a anulação de R$ 1,5 bilhão em multas fiscais aplicadas por não pagamento de tributos. Para ter uma ideia, com esse valor, poderiam ser construídos mais de dez hospitais bem equipados.

Os agentes da PF começaram a operação cedo, no início da manhã. Foram cumpridos 22 mandados de condução coercitiva (quando a pessoa é buscada em um endereço, encaminhada a uma delegacia da PF e depois liberada) e 18 de busca e apreensão nas cidades  em Brasília, Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro e Recife – duas pessoas também foram ouvidas no complexo da Papuda, em Brasília.

Em São Paulo, o diretor-presidente da companhia, André Gerdau Johanpetter, apresentou-se à PF acompanhado de seu advogado Arnaldo Malheiros Filho. Ao final das oitivas, Malheiros disse que André “esclareceu que a empresa não sonegou nada”. “Foi feita uma série de perguntas sobre a organização do Carf, mas ele não tem o menor conhecimento disso. Ele não escondeu nada”, salientou o advogado.

A delegada Fernanda Costa de Oliveira explicou que a companhia “celebrava contrato com escritórios de advocacia e de consultoria, que tinham contato com conselheiros do Carf [Conselho de Recursos Fiscais] e realizavam acordos para que as sentenças fossem favoráveis à Gerdau”.

Mandados

De acordo com a PF em Porto Alegre, onde fica a sede do Grupo Gerdau, os agentes tinham quatro mandados, mas um não foi cumprido porque a pessoa estava fora do Estado, no caso o diretor-presidente.

Das três pessoas encaminhadas à base da corporação na capital gaúcha, ouvidas a partir das 8h e liberadas entre 12h e 13h, nem todas eram ligadas à empresa. Como se sabe a respeito do esquema, escritórios de advocacia e de consultoria também são investigados por suspeita de participação no esquema de propinas para anular as condenações tributárias no Carf. É no Carf que são julgadas as ações das empresas contra cobranças tributárias.

Além da Gerdau, outras grandes empresas são suspeitas de participar do esquema, como RBS, Santander, Bradesco, Ford e Mitsubishi.

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