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ONU afirma que lama de barragem é tóxica, e Samarco nega

Metais pesados foram encontrados no rio Doce | Fabio Braga/Folhapress
Metais pesados foram encontrados no rio Doce | Fabio Braga/Folhapress

Contrariando a análise de diversos órgãos e especialistas, inclusive da ONU, a Samarco – empresa responsável pela barragem que se rompeu em Mariana (MG) no último dia 5 – alegou que a lama com rejeitos que se espalhou ao longo do rio Doce e chegou ao mar não é tóxica. Inclusive, não ofereceria perigo para as pessoas. O anúncio foi feito nesta quinta-feira um dia após a ONU ter criticado o governo brasileiro e as empresas Vale e BHP Billiton, que são proprietárias da Samarco.

O exame da lama foi realizado pela SGSGeosol Laboratórios, empresa especializada em análises ambientais e geoquímicas de solos, que foi contratada pela própria Samarco. Como consta no relatório da análise, apesar de não apresentar  “periculosidade às pessoas e ao meio ambiente”, a amostra recolhida no distrito de Bento Rodrigues mostrou que a lama possui ferro e manganês acima dos valores de referência, mas abaixo dos considerados perigosos. Os números exatos não foram divulgados.

No entanto, outros órgãos que também analisaram a lama de rejeitos discordam do  divulgado pela mineradora.

Na última quarta-feira, especialistas da ONU afirmaram que a lama de rejeitos de minério liberada no rio  Doce é tóxica e inclusive oferece perigo a toda a fauna e flora da região. “Novos testes provam que o colapso de uma barreira de rejeitos pertencente à joint-venture entre Vale e BHP Billiton (Samarco), que lançou 50 milhões de toneladas de resíduos de minério de ferro, jogou altos níveis de metais pesados tóxicos e outros produtos químicos tóxicos no rio Doce”, afirmou a ONU.

Dois relatórios do Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) de Baixo Guandu (ES) também contestam os dados apresentados pela Samarco. No primeiro, que analisou a água de Governador Valadares cinco dias após o desastre, o nível de metais pesados estava bem acima do permitido. “Na primeira análise que fizemos foi constatado um índice de 1,3 no nível de chumbo na água. O valor considerado máximo para a saúde humana é 0,01”, explicou o diretor do Saae, Luciano Magalhães.

Outro estudo mostrou que metais pesados ultrapassaram o limite em três cidades cortadas pelo rio Doce.

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