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CPI da Petrobras aprova convocação de José Dirceu e mais seis

A Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobras aprovou nesta quinta-feira a convocação do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, acusado pelo empresário Milton Pascowitch de receber propina das empresas Hope e Apolo contratadas pela Petrobras. O colegiado ainda decidiu convocar o presidente da construtora Odebrecht, Marcelo Odebrecht; e o ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Jorge Zelada, para explicarem irregularidades na estatal.

Zelada, que sucedeu Nestor Cerveró, no cargo entre 2008 e 2012, foi citado como um dos beneficiários do esquema de corrupção pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, em depoimento à Justiça Federal em Curitiba. As convocações aprovadas hoje são necessárias para que os deputados possam ouvir, na próxima semana, os depoimentos de 16 presos pela Operação Lava Jato na capital paranaense.

A comissão está reunida nesta quinta-feira para ouvir quatro executivos de empresas prestadoras de serviço à Petrobras. Presos pela Polícia Federal na 9ª fase da Operação Lava Jato, acusados de pagar propina a funcionários da BR Distribuidora em troca de informações privilegiadas, os executivos da Arxo Industrial – João Gualberto Pereira, Gilson Pereira e Sérgio Maçaneiro – usaram o direito de ficarem calados garantido por habeas corpus concedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Eles se recusaram a responder perguntas.

Pela manhã, a CPI ouve a presidenta da SAP Brasil, Cristina Palmaka, convocada para explicar negócios fechados com a estatal brasileira, entre 2006 e 2010, para a venda de softwares, serviços e produtos de informática para a petrolífera.

Veja mais sobre novos convocados pela CPI:

José Dirceu
O ex-ministro da Casa Civil foi acusado pelo empresário Milton Pascowitch de receber propina de empresas contratadas pela Petrobras. Segundo a acusação, o dinheiro era proveniente de contratos firmados pelas empresas Hope e Apolo com a Petrobras.

A propina seria intermediada inicialmente por Júlio Camargo, que representava várias empresas junto à Petrobras, e depois por Pascowitch, que acusou Dirceu de receber 1,5% do valor dos contratos da Hope com a Petrobras.

Pascowitch disse ainda que outra empresa, a Personal, que fornece mão-de-obra terceirizada para limpeza da Petrobras, pagava mensalmente entre R$ 500 mil e R$ 800 mil ao grupo de Dirceu. O delator também afirmou que uma obra da Petrobras teve sobrevalor só para que houvesse recursos suficientes para repassar a Dirceu.

Jorge Zelada
Zelada foi o sucessor de Nestor Cerveró, também preso pela Operação Lava Jato, na Petrobras. Ele comandou a diretoria Internacional entre 2008 e 2012 e entrou na lista dos investigados pela Operação Lava Jato após ser citado em depoimentos de delações premiadas firmadas por outros suspeitos.

Em depoimento à Justiça Federal, Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, que cumpre prisão domiciliar no Rio de Janeiro, disse que Zelada era um dos beneficiários do esquema de corrupção.

O ex-gerente de Serviço da Petrobras Pedro Barusco afirmou que Zelada foi beneficiado à época em que era gerente geral de obras da Diretoria de Engenharia e Serviços. Todavia, Barusco não soube informar se Zelada continuou a receber vantagens indevidas no cargo de diretor da área Internacional.

Celso Araripe de Oliveira
Ex-gerente de empreendimentos da Petrobras, foi acusado pelo Ministério Público de receber propina da empreiteira Odebrecht em troca da construção da sede da estatal em Vitória (ES). De acordo com a denúncia, o consórcio responsável pela obra, liderado pelo grupo Odebrecht, simulou contratação de empresa de consultoria para enviar ao engenheiro e a familiares dele R$ 1,4 milhão em propina. Parte do montante teria sida depositado em contas de parentes do engenheiro.

Fernando Guimarães Hourneaux de Moura
Apontado pela Polícia Federal como representante do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, na Petrobras. Segundo o Ministério Público, foi ele quem indicou Renato Duque para a diretoria de Serviços da estatal.
Foi acusado por Milton Pascowitch de ter usado três filhos, um irmão e um sobrinho para receber R$ 5,3 milhões em propina de contrato de obras da Unidade de Tratamento de Gás Natural de Cacimbas, em Linhares (ES).

César Ramos Rocha e Mácio Faria
Ambos são executivos da Odebrecht. A Polícia Federal prendeu oito executivos da construtora, inclusive o presidente da empresa, Marcelo Odebrecht. A empreiteira é suspeita de pagar propinas de mais de R$ 500 milhões a diretores da Petrobras e agentes políticos em troca de contratos com a estatal.

Elton Negrão de Azevedo
Executivo da empreiteira Andrade Gutierrez, preso na 14ª fase da Operação Lava Jato.

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