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Armar a população para reduzir violência é equívoco, diz Cardozo

Para José Eduardo Cardozo, arma não é instrumento de defesa, mas de ataque | Valter Campanato/Agência Brasil

O Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, respondeu nesta quinta-feira a perguntas de internautas no Facebook, como parte do programa Dialoga Brasil, do governo federal. Em uma das respostas, Cardozo manifestou-se sobre uma possível revogação do Estatuto do Desarmamento. Segundo ele, «é um equívoco, demonstrado por estudos de segurança pública, afirmar que a criminalidade e a violência são reduzidas quando a população está armada».

«Arma não é instrumento de defesa, mas de ataque. Quando uma pessoa tenta se defender utilizando uma arma, na maior parte das vezes não só não coíbe a violência, mas também se torna vítima», disse o ministro. «Tenho uma posição, portanto, de absoluto convencimento, a partir de estudos científicos, que, em vez de armá-las, é fundamental desarmar as pessoas para combater a violência».

Cardozo acrescentou outros riscos na avaliação sobre porte de armas. «As pessoas sem antecedentes criminais, em momentos de desatino, cometem crimes violentos, matando esposas, maridos, filhos e outros. Também é sabido que armas são roubadas de cidadãos que não praticam crimes e servem a atos violentos. Do mesmo modo, é sabido que crianças pegam armas dos pais, ferem e matam».

O ministro acrescentou que informações falsas são espalhadas por lobbies de indústrias interessadas em ampliar seus mercados, «visando a obter lucros à custa da vida de seres humanos»

O perfil do Dialoga Brasil chegou a postar uma foto do ministro em frente a um computador para «provar» que ele estava acompanhando e respondendo às perguntas.

«Sou eu mesmo. Afinal, seria absurdo se o ministro da Justiça incorresse em crime de estelionato…[risos]», publicou o Dialoga Brasil, em resposta a um internauta que questionou a presença do ministro.

Entre os temas mais perguntados, destacou-se a cobrança pela contratação de candidatos aprovados no concurso da Polícia Rodoviária Federal (PRF), feita por ao menos 30 internautas. O ministro reconheceu que são necessários mais homens e mulheres na PRF, mas afirmou que «evidentemente temos de estar sempre dentro das condições orçamentárias e financeiras».

«Estamos buscando a ampliação de efetivos da PRF no limite de nossas possibilidades orçamentárias e financeiras. Tudo que pode ser feito está sendo feito», disse a outro internauta.

Outro questionamento que se repetiu foi a respeito dos vazamentos de informações das investigações da Operação Lava Jato. Cardozo afirmou que «não cabe ao ministro orientar a Polícia Federal acerca de quem deve ou pode ser investigado». Cardozo esclareceu, entretanto, que o ministro deve determinar investigações «sempre que existir indícios de autoridades policiais que cometem ilegalidades e agem com abuso de poder».

«Temos inquéritos de processos disciplinares abertos por vazamentos ilegais e outros atos arbitrários que possam ter ocorrido em investigações. Essa é a postura que tenho por correta e que será adotada pelo ministro da Justiça enquanto couber a mim a direção da pasta», concluiu

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