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Mais de 30% dos distritos de São Paulo não têm leitos hospitalares, diz relatório

Dos 96 distritos de São Paulo, 30 não possuem nenhum leito hospitalar, segundo o Mapa da Desigualdade, divulgado nesta terça-feira pela Rede Nossa São Paulo.

O levantamento leva em conta leitos hospitalares públicos e privados.

Ao final de 2014, São Paulo tinha 34.269 leitos para 11.453.996 habitantes, o que representa 2,99 leitos para cada mil pessoas.

O índice está dentro da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde (2,5 a 3 leitos para cada mil habitantes). O problema é a sua distribuição.

Enquanto o Jardim Paulista, na zona sul, tem 35,53 para cada mil pessoas, a Vila Medeiros, na zona norte, que tem 0,040 para cada mil pessoas.

“Quanto mais você demora para dar atendimento, piora a saúde. A pessoa tem que se deslocar  e, quando chega, certamente já está em piores condições do que se tivesse um hospital perto de casa”, disse Oded Grajew, coordenador da Rede Nossa São Paulo.

De acordo com o estudo, a situação é melhor do que em 2012, quando 31 distritos não tinham nenhum leito. No ano passado, a cidade ganhou 10.344 leitos.

Cultura

O levantamento também mostra as desigualdades de São Paulo nas áreas de cultura, habitação e segurança (veja quadro ao lado). Apenas 36 dos 96 distritos têm casas de espetáculos e espaços de cultura.

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Extremo sul e zona leste concentram assassinatos

O levantamento da Rede  Nossa São Paulo mostra que os índices de violência também se distribuem de forma desigual na capital. Em três distritos (Alto de Pinheiros, Jaguará e Barra Funda), não houve nenhum assassinato em 2014.

Do outro lado da tabela, Engenheiro Marsilac, no extremo sul,  teve 6,16 assassinatos por 10 mil habitantes, o índice mais alto da cidade. O número é 34,67 vezes maior do que o de Perdizes (0,176).

Marsilac também foi a campeã de homicídio juvenil –assassinatos de pessoas de 15 a 29 anos: 28,6 a cada 10 mil habitantes. Em ambos os casos, o índice é muito superior à média da capital (1,42).

Para compilar os dados, o estudo usa números do IBGE e do Serviço Funerário do Município de São Paulo.

Fila para vaga em creche cresce

A fila por uma vaga de creche ficou ainda maior no ano passado. Segundo dados da prefeitura  compilados pelo estudo, 54,88% da demanda foi atendida no ano passado, enquanto em 2013, 55,65% dos pedidos de matrícula em creches haviam sido atendidos.

Foi o menor índice de atendimento da demanda desde o início da série de dados, em 2008.  No ano passado, 415.591 crianças procuraram vagas em creches e 228.056 conseguiram.

O fim da fila por vagas de creche é promessa de campanha do prefeito Fernando Haddad (PT).

Segundo o levantamento, o distrito com melhor desempenho é Guaianases, na zona leste, onde 80,67% dos pedidos viraram matrículas em creches. No mapa, aparecem em boa situação também os distritos de Lajeado, Cidade Tiradentes e José Bonifácio, Perus e Brasilândia (zona norte), Marsilac e Socorro (zona sul), entre outros.

A Secretaria Municipal da Educação informou que, para reduzir as filas, vai criar, até o final deste mandato, “pelo menos 100 mil novas vagas”, incluindo 33 creches em obras, 11 que devem começar a ser feitas no ano e as que devem ser abertas por meio de parcerias com a iniciativa privada.

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