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Com 745,9 mil casos, país vive epidemia de dengue; em SP, mortes chegaram a 169

Balanço divulgado nesta segunda-feira pelo Ministério da Saúde revela que o número de mortes causadas pela dengue no Estado de São Paulo é o maior da história. De janeiro a 18 de abril, foram 169 vítimas, o maior número desde que os dados começaram a ser coletados, em 1990. Em 2010, ano em que a doença foi mais letal no Estado, 141 pessoas morreram. Além disso, São Paulo concentra 73% das 229 mortes registradas no país.

O Estado também registrou o maior número de casos notificados de dengue da história. Segundo o ministério, são 401.564 notificações, um crescimento de 379% na comparação com o mesmo período de 2014, quando 83.830 casos foram notificados.

Em todo o país, foram registrados 745.957 casos da doença de janeiro a abril, um aumento de 234% em relação a 2014 (223 mil).

De acordo com o balanço, São Paulo registra incidência de 911,9 casos para cada 100 mil habitantes. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), quando há mais de 300 casos para cada 100 mil habitantes considera-se que há uma epidemia.

Além de São Paulo, outros seis Estados – Acre, Tocantins, Rio Grande do Norte, Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul – também estão com índices epidêmicos. Em termos de incidência, o país atingiu 367,8 casos por 100 mil habitantes, entrando para o patamar de epidemia.

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, no entanto, negou que o Brasil esteja em situação epidêmica. Para ele, há epidemia em apenas alguns Estados.

Em entrevista à rádio Jovem Pan, o secretário estadual de Saúde, David Uip, disse que as mortes são “constrangedoras”. Segundo ele, o Ministério da Saúde estuda antecipar a fase III dos testes da vacina contra a dengue.

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Zika vírus e chikungunya também preocupam 

“Primas” da dengue, as doenças chikungunya e zika vírus, também são transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, já preocupam as autoridades.

De acordo como Ministério da Saúde, foram notificados 2.552 casos de chikungunya no país este ano. O vírus provoca sintomas parecidos com a dengue, mas a chikungunya pode causar dores nas articulações por meses, ou até anos.

Ao todo, cinco Estados têm registros de pacientes que contraíram o vírus –Amapá, Bahia, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Roraima. Há casos em investigação em Minas Gerais.

O zika vírus também tem sintomas parecidos com os da dengue,  o  que torna difícil a sua identificação. No entanto, o vírus é mais fraco e os sintomas mais brandos.

Mesmo sem confirmação do Ministério da Saúde, pesquisadores da Universidade Federal da Bahia afirmam ter identificado o vírus no Estado.

Também há suspeitas do vírus na Paraíba, em Pernambuco e em São Paulo.

O zika vírus nunca foi registrado oficialmente na América Latina. O Ministério da Saúde deverá se pronunciar sobre a confirmação dos casos notificados ainda esta semana. 

 

Na internet, epidemia de boatos

Assustados com a epidemia de dengue no país, os brasileiros apelam para a internet para tentar tirar dúvidas de como evitar contrair a doença e se cuidar em caso de infecção.

Segundo o Google, as buscas pelo termo ‘dengue’ em março tiveram o maior pico desde abril de 2008, quando o país também viveu uma epidemia. A empresa não divulga o número de cliques, apenas a comparação entre os períodos.

Entre as cinco questões mais pesquisadas nos últimos doze meses, a maioria é baseada em boatos ou crenças populares.

A pergunta mais frequente é se existe um repelente específico para dengue, que afete em cheio o Aedes aegypti.

O infectologista do Hospital Albert Einstein David Salomão afirma que não. “Repelentes não são feitos para espantar a dengue especificamente, e sim para afastar os mosquitos em geral. Uma vez que ele repele os mosquitos, também afasta o Aedes aegypti”, explicou.

A segunda dúvida mais procurada é se inhame previne a doença. Como era de se esperar, é um mito, embora diversos sites que apareçam na busca do Google digam que funciona. “Não há estudos científicos que provem a eficácia de inhame em casos de dengue. É apenas um dito popular”, disse Celso Granato, infectologista do Fleury Medicina.

Outro mito envolve a vitamina B, que ajudaria a prevenir a doença. De acordo com os médicos, também não há nenhum estudo que comprove a eficácia da medida.

Os brasileiros também recorrem ao Google para saber se o vírus provoca espirros. De acordo com Lígia Pierrotti, infectologista do Lavoisier Medicina Diagnostica, espirros não são comuns em casos de dengue. “Alguns sintomas da gripe podem se confundir com os de dengue, como a dor no corpo e a febre. Mas a dengue não afeta o sistema respiratório e não causa espirros.”

A quinta questão é sobre gravidez e dengue. O infectologista David Salomão afirma que a dengue pode aumentar o risco de aborto no início da gestação, mas casos em que a doença seja transmitida para o feto são raríssimos. “A recomendação é igual para todos. Repouso e hidratação”, afirma o especialista.

 

20150505_SP03_mitos-sobre-a-dengueFui infectado, e agora? 

Não há um remédio específico para a dengue, mas hidratação, boa alimentação e repouso podem aliviar os sintomas e acelerar a recuperação. “A hidratação é o principal. Seja com água, suco, soro ou água de coco”, diz a infectologista Sofia Antonorsi, do hospital São Cristóvão. Raquel Muarrek, infectologista do São Luiz Morumbi, afirma que a boa alimentação é essencial. “A febre altera a flora intestinal. Alimentos leves devem entrar na dieta. Já os gordurosos devem ser evitados, pois podem agravar enjoos e diarreia.” Muarrek diz ainda que recuperação, em média, demora 15 dias. “É preciso ficar de repouso, isso acelera a recuperação.

 

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