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Brasil 30/04/2015

Youssef declara que recebeu R$ 180 milhões em propina

Doleiro Alberto Youssef é o principal delator do esquema de corrupção investigado pela Polícia Federal na Operação Lava Jato | Rodolfo Buhrer/Reuters

Segundo o doleiro, todas as verbas recebidas por ele foram em dinheiro vivo | Rodolfo Buhrer/Reuters

O doleiro Alberto Youssef, peça-chave na operação Lava Jato, declarou em depoimento à Justiça Federal que arrecadou R$ 180 milhões em propinas com o esquema de corrupção dentro da Petrobras. Em média, os pagamentos giravam em torno de 1% sobre o valor dos contratos fraudados na estatal. Parte era repassada a partidos políticos e outra parte para dirigentes da companhia petrolífera. Durante a delação, que durou quatro horas e meia, Youssef declarou que, do montante arrecadado, ficou com cerca de R$ 8 milhões. O questionamento foi feito por um advogado durante audiência realizada na quarta-feira (29).

Youssef também admitiu que as propinas tinham como objetivo o direcionamento de licitação e o benefício na execução de contratos. “A propina é sistemática”, disse.

Alberto Youssef confirmou que chegou a viajar para o Uruguai acompanhado por Leonardo Meirelles, apontado pela Polícia Federal como o laranja do doleiro em empresas de fachada. O motivo da viagem seria o pagamento de uma propina relacionada à Repar, a Refinaria Getúlio Vargas em Araucária, na Região metropolitana de Curitiba, e à Odebrecht.

Em nota, a empreiteira citada no depoimento, disse que refuta mais uma vez as afirmações caluniosas contra a empresa e os integrantes. Diz ainda que lamenta o fato de uma mentira ser reconstruída e emendada tantas vezes ao longo de vários depoimentos e delações, sem que isso traga qualquer consequência para um réu confesso em desespero para obter o perdão pelos crimes cometidos.

Segundo o doleiro, todas as verbas recebidas por ele foram em dinheiro vivo. Nas próximas semanas, os executivos das empreiteiras também devem ser ouvidos, entre eles, os nove beneficiados com o regime de prisão domiciliar.