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Foco 29/04/2015

Pais contam trajetória de criança de 5 anos transgênera nos EUA

Mia (esq.) ficou no passado de Jacob | Reprodução

Mia (esq.) ficou no passado de Jacob | Reprodução

Aos cinco anos de idade, Jacob é um garoto sorridente, cheio de energia, que adora brincar na terra como qualquer criança de sua idade. As coisas nem sempre foram assim para o menino, que era muito quieto, incomodado por mais que um simples detalhe: ele nasceu em um corpo de menina.

Os pais do menino americano transgênero contam que, aos dois anos de idade, quando ainda se chamava Mia, a criança começou a dizer que era um garoto. Inicialmente, a mãe de Jacob, Mimi Lemay, pensou que era só uma fase, mas a insistência do pequeno continuou.

“Mia realmente queria trocar muito de roupa, constantemente, umas 12 vezes por dia”, conta o pai, Joe, em entrevista à NBC.

Um dia, Mia ganhou um suéter azul, com um cachorro estampado, e passou a querer vestí-lo sobre todas as suas outras roupas, até do tutu de balé. A partir daí, a mãe começou a perceber que ela estava expressando um desconforto em se apresentar como uma menina.

Consistência, persistência e insistência, como lista Mimi Lemay, são as características de uma possível criança transgênera. “Eu estava confusa e preocupada, e queria que essa obsessão em ser um garoto se fosse”, lembra a mãe.

Mimi conta que a criança falava em odiar o próprio corpo, e que aparentava estar sofrendo. Após quase se envolver em um acidente, e pensar em como a filha deveria viver, ela tomou a decisão de ajudar a criança a adequar-se ao gênero masculino.

Jacob está muito mais sorridente, segundo seus pais | Reprodução

Jacob está muito mais sorridente, segundo seus pais | Reprodução

Jacob ganhou um corte de cabelo mais curto e começou a usar roupas de menino, mas a transformação ainda não estava completa, já que a criança ainda era Mia em público.

Após exibir para o filho um vídeo viral que conta a trajetória de Ryland Whittington, outra criança americana transgênera, Mimi perguntou a Jacob se ele gostaria de ser igual ao garoto, que havia nascido menina mas agora havia assumido em público sua identidade masculina.

“Não posso, eu tenho que ser Mia na escola”, respondeu Jacob. “Posso ser o que quiser em casa, mas tenho que ser Mia na escola.”

Os pais de Jacob perguntaram então se ele gostaria de mudar de escola, onde pudesse ser tratado com um menino desde o início. “É isso que quero. Quero ser um garoto sempre”, exultou o menino com a possibilidade.

Contentes com a mudança de comportamento da criança, que tornou-se muito mais expansiva ao poder mostrar-se como realmente é, os pais de Jacob comemoram a decisão de apoiar a transição do filho.

“Ele simplesmente é uma pessoa diferente. Está se tornando ele mesmo”, afirma o pai de Jacob. “Eu percebi o quanto ele saiu da sua bolha e o quanto ser Jacob era adequado. Então eu percebi que ele nunca tinha sido realmente Mia.  Isso tinha sido uma invenção da minha imaginação”, acrescenta a mãe.