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Foco 28/04/2015

Obama critica ação violenta de manifestantes em Baltimore

Manifestantes entram em confronto com polícia após funeral de Freddie Gray em Baltimore | Reuters

Manifestantes entram em confronto com polícia após funeral de Freddie Gray em Baltimore | Reuters

No dia seguinte aos protestos pela morte do negro Freddie Gray que levaram o caos a Baltimore, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reconheceu que a polícia nem sempre faz a coisa certa, mas disse que atos de violência são injustificáveis.

Os atos realizados após o enterro do homem de 25 anos terminaram em confronto com as forças de segurança e resultaram em cerca de 10 agentes feridos. Além disso, uma viatura foi queimada pelos manifestantes e várias lojas foram saqueadas, sendo que uma delas chegou a ser incendiada. Mais de 200 pessoas foram presas, incluindo aproximadamente 30 menores de idade.

“Aqueles que saqueiam não fazem uma manifestação, mas roubam. E os que foram responsáveis por violências devem ser tratados como criminosos. Aquilo que vimos não era um protesto, não era uma tomada de posição, mas apenas um grupo de pessoas que se aproveitou da situação para roubar”, afirmou Obama.

No entanto, logo depois ele ressaltou que as práticas usadas pela polícia norte-americana em relação a negros pobres “levantam questionamentos”. “Não é toda a polícia que faz a coisa certa, mas isso não é novo, não podemos fingir que é algo novo”, acrescentou. Obama ainda disse que é preciso ter “transparência” sobre os responsáveis pela morte de Gray e que o Departamento de Justiça está investigando o caso.

“Não podemos olhar para essas comunidades apenas quando um supermercado é incendiado. É preciso ajudá-las desenvolvendo a educação, melhorando o sistema judiciário, fazendo investimentos, criando postos de trabalho. Frequentemente, a política ignora essas coisas, mas devemos nos mobilizar como nação”, salientou o mandatário.

Violência policial

Freddie Gray morreu no dia 19 de abril depois de passar uma semana internado em coma devido a ferimentos até agora não explicados. Ele havia sido preso menos de uma hora antes de ser levado ao hospital, onde chegou com 80% da coluna machucada e três ossos do pescoço quebrados.

Em 2014, os Estados Unidos registraram diversos protestos contra a violência policial motivada por questões raciais. O caso mais emblemático foi a morte do jovem Michael Brown, de 18 anos, em Ferguson, após ser baleado pelo agente Darren Wilson.

Análise – Obama e o racismo americano*      

O presidente Obama, num duro discurso, descartou a noção de que o racismo deixou de ser uma questão nos Estados Unidos. Eram comemorações dos 50 anos do “Domingo Sangrento”, um trágico momento da luta em defesa dos direitos civis. Homens e mulheres entraram em violento confronto com a policia no Alabama. Obama falou numa homenagem a eles, “cidadãos comuns que não arredaram pés em confronto com a policia em defesa dos direitos civis”. E concluiu com um “basta abrir nossos olhos e corações para constatar que a história racial dos Estados Unidos ainda nos cobre de sombras”.

*Newton Carlos – Jornalista