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Foco 27/04/2015

Novo balanço aponta mais de 4 mil mortes após terremoto no Nepal

O número de pessoas mortas no terremoto ocorrido no último sábado (25) no Nepal subiu para 4.010, anunciou nesta segunda a agência governamental responsável pela resposta ao desastre. O tremor de terra fez também mais de 7,5 mil feridos, segundo o Centro Nacional de Operações de Emergência, do Ministério do Interior.

O balanço pode ser ainda mais grave, onde as agências humanitárias ainda têm dificuldades para avaliar o alcance da devastação e as necessidades da população. Um funcionário do Ministério do Interior disse que o número total de mortos pode chegar a 5.000.

O terremoto de 7,8 graus de magnitude, o mais violento dos últimos 80 anos no país, teve o epicentro a cerca de 80 quilômetros da capital nepalesa, Katmandu, e foi sentido em outros países como Índia, China, Bangladesh e Paquistão. Também provocou vários tremores secundários e diversos deslizamentos no monte Everest, onde ao menos 18 pessoas morreram no início da temporada de alpinismo.

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Milhares de nepaleses começaram a deixar a capital Katmandu nesta segunda, com o medo espalhado pela cidade após dois dias de tremores secundários e mediante a escassez de água e comida.

As estradas de saída de Katmandu ficaram lotadas de pessoas, algumas carregando bebês no colo. Muitas tentavam subir em ônibus ou conseguir caronas em carros e caminhões para as planícies.

Quase um milhão de crianças precisam de ajuda urgente, segundo o Unicef. Milhares de crianças dormem ao relento desde o terremoto, ao lado dos pais, e o risco de propagação de doenças é elevado, segundo o Fundo da ONU para a Infância.

“Pelo menos 940.000 crianças que vivem nas áreas mais afetadas pelo terremoto no Nepal têm uma necessidade urgente de ajuda humanitária”, afirma um comunicado.

“As restrições de acesso à água potável e às instalações de saúde expõem as crianças a doenças que se propagam pelo ar. Ao mesmo tempo, algumas crianças estão separadas de suas famílias”, adverte o Unicef.

A organização está mobilizando equipes e enviará a Katmandu dois aviões de carga com 120 toneladas de ajuda humanitária, incluindo medicamentos, barracas e cobertores.

O governo do Nepal enviou três helicópteros para tentar resgatar os alpinistas que permanecem bloqueados no Everest.

Quase 150 pessoas permanecem nos campos 1 e 2 e as autoridades acreditam que não têm ferimentos graves. Eles serão levados para o campo base e não para a base da montanha, segundo o governo.

arte terremoto nepal

Devastação em Katmandu

O terremoto bloqueou as estradas da capital e provocou danos no aeroporto internacional, que precisou ser fechado por motivos de segurança. As comunicações, a eletricidade e a água corrente foram cortadas, indicou a ONG Oxfam, que “se prepara para levar água potável e artigos de primeira necessidade”, segundo a diretora de seu escritório no Nepal, Cecilia Keizer.

A Índia evacuou seus cidadãos bloqueados através de aviões militares, enquanto 62 equipes de resgate chinesas chegaram à região com cães treinados.

Em Katmandu, centenas de edifícios desabaram. A histórica torre Dharahara, uma das maiores atrações turísticas da cidade, não resistiu aos abalos e seus nove andares vieram abaixo deixando uma montanha de escombros.

Enquanto as equipes de salvamento buscavam entre os escombros, muitas com a ajuda de suas próprias mãos, os hospitais estavam lotados.

No hospital Bir, o mais antigo de Katmandu, familiares das vítimas tentavam espantar as moscas dos corpos, que se amontoavam no chão diante da falta de espaço nos necrotérios.

Muitos médicos atendiam os feridos, a maioria com fraturas múltiplas e traumatismos, em tendas de campanha anexas devido à grande quantidade de feridos, mas também porque muitas pessoas tinham medo de entrar no edifício.

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