logo
Foco
Foco 27/04/2015

Novo zoneamento autoriza comércio em rua residencial de São Paulo

Novo zoneamento terá impacto sobre ruas como a Gabriel Monteiro da Silva, no Jardim América | André Porto/Metro

Novo zoneamento terá impacto sobre ruas como a Gabriel Monteiro da Silva, no Jardim América | André Porto/Metro

Prestes a ser enviada à Câmara, a nova lei de zoneamento da capital tem tirado o sono de quem vive hoje em ruas estritamente residenciais, mas que podem receber vizinhos pouco desejados no futuro, como bares, restaurantes e casas noturnas.

Complementar ao Plano Diretor, aprovado em 2014, o zoneamento definirá os usos permitidos em cada área da cidade.

A origem da discórdia está no impacto das chamadas zonas corredores – serão criados quatro tipos –,  que irão permitir a instalação de estabelecimentos comerciais em vias com grande fluxo de veículos.

Diretor-executivo da associação de moradores Ame Jardins, João Maradei, destaca que a minuta do zoneamento não especifica que tipo de estabelecimento será liberado, o que deixa moradores de ruas como a Groenlândia, Estados Unidos e Colômbia preocupados com uma futura descaracterização. “Estamos falando de ruas saturadas. Não há como instalar restaurantes e bares na Gabriel Monteiro da Silva.”

Maradei aponta ainda que o texto da Secretaria de Desenvolvimento Urbano tira o limite do uso dos lotes dentro dos bairros. Hoje, a regra prevê a utilização de até 40 metros. Caso o texto seja aprovado, será liberado o uso comercial de todo o lote.  O diretor da Ame Jardins irá se reunir nesta semana com representantes da secretaria para pleitear mudanças. Entre elas, a manutenção do miolo dos Jardins, no trecho entre a avenida Faria Lima e a marginal Pinheiros, como estritamente residencial. O texto prevê a transformação dessa área em predominantemente residencial, o que pode liberar comércios de médio porte.

Para o engenheiro Ivan Maglio, o zoneamento, que chegará ao Legislativo, transformará zonas residenciais em comerciais sem necessidade e pode resultar na criação de novas “Vilas Madalenas” na capital, colocando  em oposição moradores e frequentadores de bares e restaurantes. Maglio destaca que o texto não leva em consideração  as características de cada bairro, adotando um modelo único de construção para diferentes bairros. “Na margem das linhas de transporte público será liberado o coeficiente máximo de construção. Teremos uma operação urbana sem as obras de melhoria exigidas para uma intervenção de porte.”

Acompanhando as audiências públicas, o vereador José Police Neto (PSD) acredita que o debate sobre a definição do que será permitido ou não ficará para o Legislativo. Na avaliação de Police, o desafio é conciliar o desenvolvimento sem colocar em risco as características dos bairros.

O prefeito Fernando Haddad (PT) admitiu no sábado que o texto pode sofrer alterações antes de ser enviado à Câmara. “Os pontos mais polêmicos ainda estão em discussão e podem ser alterados na Câmara ou quando chegarem ao Executivo, na regulamentação”.