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Foco 27/04/2015

Itamaraty confirma que nenhum brasileiro morreu em terremoto no Nepal

O Itamaraty confirma que fez contato com 96 brasileiros no Nepal e, segundo o órgão, todos eles escaparam sem ferimentos do forte terremoto do último sábado. Os últimos números divulgados pelo governo local indicam que mais de 4 mil pessoas morreram na tragédia.

Ainda segundo o Itamaraty, funcionários da Embaixada do Brasil em Nova Délhi, na Índia, foram deslocados para atender aos sobreviventes. Alem disso, um centro de atendimento foi montado no aeroporto de Katmandu, capital do Nepal e que ficou devastada após o tremor.

Sobre o número total de mortos, de acordo com a ONG Caritas, ele pode chegar a seis mil. “O balanço das vítimas sobe constantemente. Calcula-se também que há cinco mil feridos e milhares de desabrigados”, disse o padre Pius Perumana, diretor do órgão. Das vítimas fatais, 1,3 mil foram registradas somente no vale do Katmundu, uma das regiões mais povoadas do país.

O terremoto de 7,8 graus atingiu o Nepal e os vizinhos Paquistão, Bangladesh e Índia na manhã de sábado (25). Foi o mais forte tremor de terra na região nos últimos 80 anos. O abalo sísmico provocou avalanches no Monte Everest que mataram alpinistas e bloquearam trilhas.

Testemunhas afirmam que há pessoas sufocadas pelo gelo entre o campo base e o campo 1 do Everest. A comunidade internacional, as Nações Unidas e ONGs de ajuda humanitária já começaram a enviar equipes e suprimentos ao Nepal. Milhares de pessoas estão dormindo nas ruas.

Brasileiros não conseguem sair de vilarejo

Preso em um vilarejo próximo ao acampamento base do Monte Everest, no Nepal, o brasileiro Hugo Von Ancken afirmou nesta segunda-feira, em entrevista à BandNews, que não tentará se deslocar para a capital do país – atingido, no último sábado, por um forte terremoto que já causou a morte de ao menos 4 mil pessoas -, Katmandu.

Apesar de estar em um pequeno vilarejo, próximo às altas montanhas do Everest, e a mais de 3 mil metros de altitude, Hugo afirmou que a situação no local é melhor do que em Katmandu, arrasada por conta do fenômeno natural.

“Eu falei hoje com a Embaixada do Brasil em Katmandu. Parece que a situação lá realmente é bastante extrema. (…) Falta água, falta comida, então não faz sentido a gente sair daqui e ir para lá. O que a gente vai fazer, por enquanto, é aguardar e tentar entender um pouco como a coisa se desenvolve para a gente tomar a decisão de qual o melhor momento para sair daqui”, afirmou.

Junto de sua namorada, Stelle Basile, Hugo afirmou que tem água e comida e que não passa necessidades. Instalado próximo a uma base militar do exército do Nepal, o casal afirma que tem mantimentos para mais uma semana.

Brasileiro estava a 300 m de avalanche

O brasileiro Thiago Cavallini Sanches é um dos sobreviventes das avalanches que mataram quase 20 pessoas no Monte Everest. Em entrevista à Rádio BandNews FM, direto da montanha, o jovem relata que, no momento do abalo, estava a 5 mil metros de altitude e a cerca de 300 metros de onde a neve começou a cair.

O brasileiro já subia a montanha havia uma semana e agora faz o caminho de volta para tentar se proteger. Só nesta segunda-feira Thiago conseguiu chegar a um vilarejo sem risco de avalanche e com temperatura positiva.

“O que está dificultando muito o trajeto montanha abaixo é a falta de informação, porque o caminho é realmente perigoso”, disse Thiago. O trajeto fica na beira de penhascos e rochas. “Hoje mesmo, no meio do caminho, tinha uma rocha gigante e a gente teve que escalá-la”, afirmou.

“Você tem que, a todo o momento, controlar o emocional, porque você vê gente morta, gente ferida [na montanha]. Nossa primeira refeição de hoje foi a dois metros de um cadáver. É um clima muito pesado, um clima muito triste”, contou o brasileiro.

Thiago, que é paulistano, não é alpinista profissional e está acompanhado de um amigo gaúcho. “Felizmente, toda minha equipe está com bastante saúde”, declarou.

Segundo o brasileiro, ele e sua expedição iam para o local onde a avalanche atingiu: “Por um dia e meio de caminhada, a gente poderia estar dentro do soterramento que aconteceu”.

A avalanche aconteceu às 6h45 locais de sexta-feira, a 5,8 mil metros de altitude, em uma área próxima da geleira de Khumbu e foi provocada por um terremoto no Nepal que matou 3,9 mil pessoas.

O acidente no Everest evidencia os grandes riscos para os guias sherpas, que transportam barracas, alimentos, reparam equipamentos e fixam as cordas para ajudar os alpinistas estrangeiros que pagam dezenas de milhares de dólares para chegar ao topo.

Mais de 300 pessoas morreram no Everest desde a primeira escalada com sucesso de Edmund Hillary e Tenzing Norgay em 1953.

O pior acidente na história do alpinismo no Nepal aconteceu em 1995, quando uma avalanche atingiu o acampamento de um grupo nipônico, perto do Everest, e matou 42 pessoas, incluindo 13 japoneses.

O Nepal, país pobre do Himalaia, tem oito das 14 maiores montanhas do mundo, com mais de 8 mil metros.

arte terremoto nepal