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Foco 24/04/2015

Crise econômica torna o momento favorável para a aquisição de imóveis

Mercados de alto e médio padrão começou ano em alta| Edson Silva/Folhapress

Mercados de alto e médio padrão começou ano em alta| Edson Silva/Folhapress

Com o atual cenário de crise econômica no país, realizar o sonho de comprar a casa própria pode parecer inviável. Mas pelo contrário. O número elevado de unidades à venda somado ao desaquecimento do mercado tornam o momento favorável para a aquisição de imóveis. Claro que os juros no caso do financiamento demandam atenção especial.

Muita oferta e poucas vendas fazem os preços caírem, explica o vice-presidente de Incorporação e Terrenos Urbanos do Secovi-SP, Emilio Kallas.  “Em algumas regiões, preços atrativos levaram mais visitantes aos estandes de vendas. As pessoas querem aproveitar este momento, que está favorável ao comprador”.

Juros
Os mercados de médio e alto padrão começaram 2015 melhor do que terminaram 2014, afirma Rafael Abud, proprietário da Ello Imobiliária na Granja Viana, em São Paulo. “Mas vão ter de se acomodar com as mudanças recentes do parcelamento.”

Ele se refere ao aumento da taxa de juros e diminuição do prazo de financiamento de 90 para 80 meses – segundo aumento do ano, pela Caixa Econômica Federal, maior financiadora de habitação do país.

Segundo a Caixa, com a redução nas vendas, as empresas estão direcionando seu foco para eliminar estoque e não para lançamentos.

Os juros altos e a inflação devem atrapalhar um pouco o setor, mas por outro lado faz com que o mercado se acomode, diz o administrador Luciano Abud. “Os preços estavam muito elevados e agora começam a se equilibrar”.

A Caixa, que detém 70% do credito habitacional no país, disponibiliza financiamentos com recursos do FGTS e Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) voltados para compra da moradia própria, de imóveis residenciais novos e usados.

A Caixa espera contratar mais de R$ 128, 8 bi neste Feirão | Divulgação/Caixa

A Caixa espera contratar mais de R$ 128, 8 bi neste Feirão | Divulgação/Caixa

Feirão da Caixa deve aquecer mercado popular
O mercado mais popular, de imóveis, com valor até R$ 190 mil, deve começar a se aquecer essa semana por causa da 11ª edição do Feirão Caixa da Casa Própria.

Com foco no financiamento do programa Minha Casa Minha Vida e em operações com recursos do FGTS, o evento considerado o maior do ramo imobiliário começa neste final de semana, de 24 a 26, em São Paulo, Recife e Belém, e depois segue por mais 11 cidades até 14 de junho.

Em 2014, a Caixa informa ter contratado mais de R$ 128,8 bi em crédito imobiliário. A perspectiva para 2015 é atingir o mesmo resultado do ano anterior, segundo informou por meio de sua assessoria.

Nesta edição, o Feirão conta com mais de 1.400 parceiros. Entre eles, cerca de 660 construtoras e 390 correspondentes imobiliários, além de 354 imobiliárias. No total, 822 empreendimentos novos estarão com as suas unidades em oferta. De acordo com a Caixa, 5.858 empregados estão envolvidos com a realização do Feirão deste ano. A previsão inicial é de que o número de imóveis ofertados seja superior a 200 mil. “É um evento consolidado, que traz grandes facilidades a todos que se interessam em adquirir uma moradia”, diz o diretor de Habitação da Caixa, Teotonio Rezende.

A vantagem, segundo Rezende, é que o cliente poderá escolher no mesmo local um dos vários imóveis ofertados pelo mercado, além de contar com a Caixa e seus correspondentes imobiliários para realizar a avaliação de crédito, ou para responder dúvidas sobre o financiamento. Para quem pretende comprar um imóvel, a principal dica do administrador Luciano Abud, é que a pessoa se prepare para o momento da compra com antecedência. “Nunca se sabe o momento certo em que uma boa oportunidade vai aparecer”, diz.

“Além disso, é preciso ter o montante da entrada compatível com o imóvel em vista, ter toda a documentação em dia, e principalmente estar com nome limpo na praça”, lembra Abud. Outra dica do especialista  é pesquisar. “Muitas vezes num mesmo condomínio existem com preços diversos imóveis, e um certamente poderá ter o valor que ele pode pagar”.

Caixa subiu juros duas vezes esse ano 
A Caixa Econômica Federal já subiu duas vezes neste ano a taxa de juros para financiamento imobiliário.

De acordo com a instituição, a alta é reflexo do aumento da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 12,75 % ao ano.

O reajuste vale para contratos  de imóveis com valor até R$ 750 mil, feitos pelo SFH (Sistema Financeiro Habitacional), que abrange a maioria dos negócios imobiliários no país.

Houve também alteração no LTV (do inglês, Loan to Value) que mede o percentual do valor total que pode ser financiado. Passou de 90% para 80% nas operações do SFH.

Os financiamentos contratados com recursos do programa Minha Casa Minha Vida e do FGTS não sofreram reajustes na taxa de juros.

Documentos e taxas de juros 
Para requerer o crédito para casa própria no Feirão, basta levar documento de identidade, CPF e comprovante de renda.

Nos financiamentos com recursos do FGTS, a renda familiar deve ser de até R$ 5.400,00 e as taxas de juros variam entre 4,59% e 8,88%. O valor máximo de avaliação de imóvel pode ser de até R$ 190 mil. Nos financiamentos que utilizam recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) não há limitador de renda, o financiamento dependerá da capacidade de pagamento do cliente e da avaliação do imóvel.

As taxas de juros para financiamentos até R$ 750 mil (Brasília, SP, MG e RJ) e R$ 650 mil nos demais Estados, variam de 8,8% a 9,45% ao ano, de acordo com relacionamento com o cliente.