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Foco 23/04/2015

São Paulo já tem 13 distritos com epidemia de dengue

Acompanhados por soldado, agentes buscam criadouros do mosquito da dengue em casa no Limão | André Porto/Metro

Acompanhados por soldado, agentes buscam criadouros do mosquito da dengue em casa no Limão | André Porto/Metro

A cidade de São Paulo já tem 13 distritos em situação de epidemia de dengue – quando há mais de 300 casos para cada 100 mil habitantes – de acordo com balanço divulgado nesta quinta-feira pela Secretaria da Saúde. A cidade tem 96 distritos.

Entre janeiro e 11 de abril, a capital confirmou 20.764 casos da doença, um aumento de 191,4% em relação ao mesmo período do ano passado, quando 7.126 casos foram confirmados.

No balanço anterior, divulgado há 15 dias,  a secretaria havia registrado 8.063 casos da doença na cidade.

A secretaria também confirmou mais uma morte causada pelo vírus. A vítima,  um homem de 92 anos, morava na região norte, no Jaraguá, um dos bairros com maior número de casos (veja quadro ao lado). O número total de óbitos no ano chega a cinco. Outras 22 mortes ainda são investigadas. Em todo o ano passado, 14 pessoas morreram de dengue na capital.

previna-se-dengue-arteA zona norte continua  a concentrar o maior número de infectados–38,5% dos casos confirmados na capital estão nessa região. A Brasilândia continua a ter o maior número de casos. O bairro também tem a maior incidência da doença, registrando 899,9 casos para cada 100 mil habitantes.

O secretário-adjunto de Saúde, Paulo Puccini, afirmou que a situação está sob controle. “A incidência segue alta, mas dentro do controle. Só falarei em epidemia quando São Paulo [por inteiro] atingir um determinado valor. Por hora não vivemos epidemia, vivemos uma alta ocorrência”.

A partir desta sexta, uma nova tenda de apoio começa a funcionar na região do Carrão, na zona leste.

Soldados participam da caça  aos mosquitos na zona norte 

Uma equipe de 50 militares do Exército começou ontem a ajudar agentes da prefeitura no combate à dengue no bairro do Limão, na zona norte. A região sofre uma epidemia da doença, com incidência de 464,9 casos para cada 100 mil habitantes.

O objetivo da participação dos soldados é passar mais segurança aos moradores. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, 20% dos donos dos imóveis se recusam a abrir a porta para as equipes da prefeitura.

Por isso, os soldados trabalham em dupla com agentes para entrar nas casas, buscando possíveis criadouros do Aedes aegypti.

De acordo com o coronel do Exército  Ricardo Carmona, cada dupla deve visitar 25 residências por dia. O coronel afirmou também que a operação, a princípio, durará 30 dias, mas pode ser prorrogada. “Tudo depende da demanda da prefeitura. Até o bairro onde as ações são feitas pode mudar se for preciso”, afirmou.

Para a agente de zoonoses Luciane Mergulhão, a presença do Exército causa uma mudança notável na atitude dos moradores. “No início fiquei receosa em ser acompanhada pelo Exército, mas a melhora no trabalho foi enorme. Não tive que insistir e ficar explicando a importância da visita, fui recebida com sorrisos.”

Lourdes da Silva, moradora do Limão, abriu suas portas para os profissionais e gostou de ver um soldado em sua casa.

“Achei ótimo, me senti segura e notei que há muitos detalhes que deixamos passar no dia a dia”. A dona de casa recebeu dicas dos agentes para deixar garrafas de vidro viradas e ficar atenta com sua caixa-d’água. “A caixa estava tampada corretamente, mas tinha um pequeno buraco na lateral, que permite a entrada do mosquito. É preciso verificar cada cantinho, dobrar a atenção”, advertiu a agente Lindaura Coelho.

Além do reforço porta a porta, o Exército também disponibilizou, a pedido da prefeitura, dez médicos para atuar em UBSs na zona norte da capital. “O trabalho deve começar a partir de segunda-feira, quando os médicos vão ficar o dia inteiro no posto”, explicou Carmona.

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