logo
Foco
Foco 23/04/2015

Ações da Petrobras fecham em alta após divulgação do balanço; dólar cai

Um dia após a divulgação do balanço, as ações da Petrobras abriram em forte queda na Bovespa, nesta quinta-feira, mas o movimento perdeu força, com as ordinárias revertendo e fechando em alta de 5,63%, a R$ 14,06, maior valor desde 4 de novembro de 2014. As preferenciais terminaram em baixa de apenas 1,52%. No pior momento do dia, as preferenciais caíram mais de 9% e as ordinárias, mais de 6%.

A diferença no comportamento entre as duas classes de ações foi atribuída a ordens de “stop loss” em operações em que investidores estavam comprados nas preferenciais e vendidos nas ordinárias, na expectativa de que os detentores de preferenciais recebessem o pagamento do dividendo mínimo, mesmo em caso de prejuízo da estatal.

“Apesar dos grandes desafios, a divulgação do balanço tirou um grande peso das costas da Petrobras e do próprio país, o que ajuda nos ativos de modo geral”, disse o gestor Joaquim Kokudai, sócio na sócio na JPP Capital Gestão de Recursos.

A Bovespa fechou com o seu principal índice no maior patamar em cinco meses nesta quinta-feira, em sessão marcada pela repercussão do resultado financeiro auditado de 2014 da Petrobras, divulgado na noite da véspera com meses de atraso.

O Ibovespa subiu 1,95%, a 55.684 pontos, máxima desde 21 de novembro de 2014. O volume financeiro somou R$ 9,4 bilhões.

A Petrobras teve prejuízo de R$ 21,6 bilhões em 2014. Analistas destacaram negativamente dados sobre endividamento e perspectivas para o fluxo de caixa do balanço, bem como o anúncio de não pagamento de dividendos, embora tenham avaliado que a divulgação do resultado trazia “alívio”.

Em teleconferência com analistas, a estatal disse que irá priorizar redução do endividamento no novo plano de investimento da empresa, a ser divulgado nos próximos 30 dias.

O diretor financeiro da companhia, Ivan Monteiro, disse à Reuters que a Petrobras está estudando opções de desinvestimento da sua subsidiária BR Distribuidora.

A mineradora Vale foi pelo segundo dia consecutivo um dos suportes do Ibovespa, após novo avanço dos preços do minério de ferro na China, com as preferenciais encerrando com ganho de 6,56% e as ordinárias subindo 8,43%, o que colocou as respectivas cotações na máxima em cerca de dois meses.

O setor de siderurgia foi outro destaque positivo, com Usiminas avançando 6,76%, após resultado no primeiro trimestre acima das expectativas. CSN, que tem fatia na concorrente, saltou 7,31%.

O papel da empresa de educação Kroton subiu 6,19%, em meio a comentários do ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, de que todas as matrículas do programa de financiamento estudantil Fies serão renovadas, segundo informações da Agência Brasil.

Papéis de bancos, com peso expressivo no Ibovespa, endossaram o avanço, com Itaú Unibanco subindo 2,71% e Bradesco ganhando 2,19%.

Marcopolo também chamou a atenção ao disparar na parte da tarde, fechando em alta de 11,32%. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus sobre a produção de ônibus mostraram aumento da sua participação de mercado, enquanto a corretora Brasil Plura destacou em relatório a empresa como em melhor situação para competir no setor.

A Rumo ALL destoou e terminou em queda de 9,70%, depois de anunciar que seu plano de investimentos contempla R$ 2,8 bilhões até o final de 2016.

Fora do Ibovespa, Anima Educação subiu 7,12%, um dia após a empresa informar que decidiu desfazer o contrato para unir suas operações com as da norte-americana Whitney University System no Brasil.

Dólar cai quase 1% e fecha abaixo de R$3,00 pela 1º vez desde o início de março

O dólar caiu quase 1% nesta quinta-feira e fechou abaixo de R$ 3 pela primeira vez desde o início de março, com os investidores testando um novo piso para a moeda norte-americana.

O movimento foi amparado pela queda do dólar no mercado internacional, que recuava cerca de 0,7% ante uma cesta de moedas.

A dólar recuou 0,89%, a R$ 2,9816 na venda, na menor cotação de fechamento desde 4 de março, quando encerrou a R$ 2,9807. Segundo dados da BM&FBovespa, o giro financeiro ficou em torno de US$ 1,3 bilhão.

“O efeito psicológico dos R$ 3 acabou sendo rompido com o dólar aqui acompanhando o exterior”, disse o diretor de câmbio do Banco Paulista, Tarcísio Rodrigues.

Durante a maior parte da manhã, a moeda norte-americana foi negociada em alta, reagindo aos dados divulgados na véspera da Petrobras. Na máxima da sessão, chegou a subir 0,89%, a R$ 3,0352.

Na noite de quarta-feira, a petroleira estatal divulgou o balanço auditado de 2014, mostrando prejuízo de R$ 21,6 bilhões, afetado por perdas de 6,2 bilhões de reais por corrupção e queda em mais de R$ 44 bilhões no valor de seus ativos.

Analistas destacaram negativamente dados relacionados ao endividamento da estatal e perspectivas quanto ao fluxo de caixa, bem como o anúncio de não pagamento de dividendos, embora tenham considerado que a divulgação dos resultados auditados traz um “alívio”.

Além do balanço da Petrobras, o mercado também foi guiado pela briga para romper a barreira técnica dos R$ 3.

“Foi operação em cima de suporte. Rompido esse patamar (de R$ 3), o mercado vai buscar novo patamar mais baixo”, disse o sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi.

“O mercado pode tentar buscar o novo piso, de cerca de R$ 2,95, mas acho que não se sustenta”, disse Petrassi, acrescentando que os fundamentos da economia brasileira permanecem ruins, o que não condiz com um dólar mais barato.

Nesta manhã, o BC brasileiro vendeu a oferta integral de até 10,6 mil swaps para rolagem dos contratos que vencem em 4 de maio, equivalentes a US$ 10,115 bilhões. Até o momento, a autoridade monetária já rolou cerca de 76% do lote total.