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Foco 22/04/2015

Petrobras registra prejuízo de R$ 21,6 bilhões em 2014; R$ 6,2 bilhões foram resultado de corrupção

A Petrobras divulgou na noite desta quarta-feira o aguardado balanço auditado do exercício de 2014, apontando uma baixa contábil de R$ 6,194 bilhões pelo esquema de corrupção investigado pela Lava Jato. Somado a uma perda de R$ 44,636 bilhões por desvalorização de ativos, a estatal fechou 2014 com um prejuízo de R$ 21,587 bilhões –  o primeiro desde 1991, quando teve perdas de R$ 1,21 bilhão, segundo dados da Economatica.

Em 2013, a companhia teve lucro de R$ 23,57 bilhões obtido em 2013. O prejuízo foi de R$ 5,339 bilhões no terceiro trimestre e de R$ 26,6 bilhões no quarto trimestre do ano passado.

Segundo a empresa, o cálculo das perdas com corrupção foi baseado em informações da investigação do Ministério Público Federal. Os valores referem-se a 3% do valor de contratos com 27 empresas membros do cartel entre 2004 e 2012.

Entre as diretorias, a de Abastecimento, comandada por Paulo Roberto Costa,  foi responsável pelo desvio de R$ 3,4 bilhões, a de Exploração e Produção, por R$ 2 bilhões, e a de Gás e Energia, por R$ 0,7 bilhão. Costa foi condenado ontem pela Justiça por lavagem de dinheiro na refinaria Abreu e Lima.

A estatal também reduziu o valor de seus bens em R$ 44,3 bilhões, após ter reavaliado uma série de projetos, principalmente a Refinaria Abreu e Lima e o Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro).

 

Sem dividendos

O presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, afirmou que a companhia não irá pagar dividendos a acionistas referentes a 2014. “Simplesmente não vamos pagar. É uma das medidas de preservação do caixa da companhia”, completou.

O executivo insistiu que a Petrobras não deve vender ativos do pré-sal: “Volta a reafirmar que não tem interesse de desinvestimento e ativos do pré-sal”, disse.

Bendine destacou que o balanço foi aprovado sem ressalvas pela auditora externa PricewaterhouseCoopers (PwC). “A partir daqui a Petrobras volta a garantir a normalidade de seu relacionamento com investidores, acionistas e credores no Brasil e no exterior”, disse.

A divulgação tinha sido adiada por duas vezes. Um dos motivos dessa demora foi a dificuldade de definir uma metodologia para calcular o as perdas com corrupção. A conta pode ser modificada, de acordo com os desdobramentos da investigação Lava-Jato, disse Bendine. 

Divulgação de balanço fará Petrobras recuperar credibilidade, avalia economista
Para o professor de economia do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) do Rio de Janeiro, Alexandre Espírito Santo, a divulgação nesta quarta-feira do balanço auditado da Petrobras de 2014 é importante porque reconhece todas as perdas decorrentes de fatores como a desvalorização de ativos, conhecida como impairment, no montante de R$ 44,6 bilhões, e a Operação Lava Jato (R$ 6,2 bilhões). O total do prejuízo apurado alcançou R$ 21,6 bilhões.

“É bastante positivo”, disse Espírito Santo, acrescentando que os números, apesar de fortes, são vistos como um bom sinal. “Porque era exatamente isso que todos estavam esperando: doa a quem doer, coloque o resultado que tem que vir”. Segundo ele, o prejuízo é algo impensável para uma empresa desse porte. Para o economista, a Petrobras nunca experimentou um prejuízo dessa monta.

Espírito Santo avalia que a divulgação do balanço, que sofreu vários adiamentos, pode sinalizar para uma retomada da credibilidade da estatal junto ao mercado e a seus acionistas brasileiros e internacionais. “Eu acho que sim. A única coisa que o mercado não gosta, em nenhum momento, é de incerteza e insegurança. Mesmo com números muito ruins, se estão sendo apresentados da maneira adequada, você vira a página”.

Ele ponderou, porém, que a estatal vai levar muito tempo para se refazer desse prejuízo. “Ela vai demandar entre três e quatro anos para que resgate tudo isso que aconteceu, inclusive as falcatruas associadas que a Operação Lava Jato está mostrando”, disse. O economista concluiu que, embora a divulgação do balanço seja positiva, a empresa deverá sofrer ainda no curto prazo “eventuais novos possíveis problemas”, como os do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).